A comitiva de negociações comerciais entre Brasil e Índia, presidida pelo secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal, reuniu representantes de 19 empresas dos setores agrícola, farmacêutico, infraestrutura, mineração e alimentação, com o objetivo de consolidar um acordo estratégico que visa dobrar a corrente comercial atual de R$ 15 bilhões, ampliando as linhas tarifárias e firmando um memorando de entendimento (MoU) entre a Apex Brasil e a contraparte indiana.
Contexto Estratégico e Antecedentes da Negociação Bilateral
A comitiva realizou reuniões técnicas no Rio de Janeiro e São Paulo, com foco na desobstrução de barreiras não tarifárias e na ampliação da cooperação setorial, enquanto o comércio bilateral registra crescimento de 20% em 2024, impulsionado pela visita do presidente Lula à Índia em fevereiro e pela abertura de novos canais de diálogo entre os ministérios de Comércio Exterior e Desenvolvimento Industrial.
O memorando assinado entre a Apex Brasil e o Ministério do Comércio da Índia prevê a criação de comitês setoriais permanentes, trocas periódicas de dados sobre licitações e prazos alfandegários, e o desenvolvimento conjunto de projetos-piloto em infraestrutura logística, com especial atenção para a integração da cadeia produtiva do minério de ferro do Rio Grande do Norte com rotas exportadoras do Nordeste brasileiro.
O investimento recorde da Índia no Brasil, de R$ 2,5 bilhões, inclui a construção da mina de ferro Fomento no Rio Grande do Norte com produção prevista em 2 milhões de toneladas anuais a partir de 2029.
Repercussão Setorial e Perspectivas Futuras da Aliança Econômica
O ministro Márcio Elias Rosa destacou que a parceria transcende o âmbito mercantil, configurando-se como aliança política entre as duas maiores democracias do Sul Global, com convergência em pautas como multilateralismo, sustentabilidade ambiental e inclusão social, reforçada pelas recentes cooperações em minerais críticos e biocombustíveis.
As próximas etapas incluem a formalização dos ajustes tarifários ainda este semestre, o lançamento dos primeiros projetos logísticos na porta-de-entrada do porto de Natal e a ampliação da participação brasileira no mercado farmacêutico indiano por meio de licenciamento acelerado.
O prazo crítico para implementação das novas regras tarifárias é setembro de 2025, sob pena de suspensão parcial dos benefícios previstos no MoU.



