O Ministério de Portos e Aeroportos está desenvolvendo uma nova plataforma de monitoramento para mapear a saturação dos portos brasileiros no horizonte 2027-2030, com o objetivo de equilibrar a demanda por movimentação de cargas e a capacidade operacional dos terminais, assegurando decisões estratégicas sobre expansão e investimentos em infraestrutura.
Contexto Estrutural e Diagnóstico da Capacidade Portuária
A iniciativa do ministério se insere em um cenário de crescente pressão sobre a infraestrutura portuária nacional, evidenciado por estudos setoriais que alertam para o risco de esgotamento das estruturais atuais. Conforme levantamento da Macroinfra divulgado pela, os terminais de contêineres em Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí/Navegantes (SC) e Itapoá (SC) apresentam sinais avançados de saturação, com projeção de atingirem seus limites máximos operacionais até 2030 sem novas obras ou expansão.
Embora a produtividade tenha evoluído entre 2015 e 2023, o crescimento da movimentação de contêineres – que saltou de 55,9% para 79,7% na taxa de ocupação em Santos – não tem sido acompanhado por incremento proporcional na capacidade estrutural. Dados do consultor Luis Cláudio Montenegro, da Neowise Consultoria, revelam que o tempo médio para atracação em Santos subiu de 8-9 horas em 2019 para cerca de 35 horas em 2024, enquanto o custo do THC (Taxa de Handling Container) escalou de US$ 70-100 por TEU em 2019 para estimados US$ 500 em 2026.
O custo do THC pode chegar a US$ 500 por TEU até 2026, elevando custos logísticos e pressionando a competitividade do comércio exterior brasileiro.
Repercussão Técnica e Desafios para Expansão
A nova ferramenta do ministério visa integrar dados operacionais em tempo real dos complexos portuários públicos e privados, permitindo ao governo identificar com precisão quais terminais estão próximos do limite operacional e direcionar políticas públicas eficazes. No caso de Santos, uma das principais respostas previstas é o Tecon Santos 10, terminal que ampliará a capacidade em 50% e deve captar quase R$ 6 bilhões em investimentos.
Entretanto, o projeto encontra impasse no modelo de leilão e na restrição à participação de operadores já consolidados no porto, o que pode atrasar sua concretização. A falta de clareza regulatória sobre esse ponto gera incerteza quanto ao cronograma de expansão necessária para evitar ruptura na cadeia logística nacional.



