A aquisição de um SUV BYD Song Plus híbrido 2025, no valor de R$ 102.190, pago integralmente em espécie por Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, configurou notificação obrigatória ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em 13 de janeiro de 2025, integrando o Relatório de Inteligência Financeira nº 146088 e constituindo ponto central das diligências da Polícia Federal autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal na operação realizada na quarta-feira, que resultou na busca e apreensão em endereços ligados ao deputado federal Mário Frias (PL-SP), ao Instituto Conhecer Brasil e à própria Karina Gama.
Contexto Institucional e Antecedentes da Investigação
A comunicação ao Coaf referente à compra do veículo, apesar de obrigatória por lei — prevista no art. 2º da Lei nº 9.613/98 e regulamentada pelo Banco Central —, não implica, por si só, em irregularidade criminal, mas atua como gatilho para o cruzamento de dados financeiros que permitiu à Polícia Federal mapear um padrão de movimentações suspeitas entre a Go Up Entertainment, o Instituto Conhecer Brasil, o deputado Mário Frias e Karina Gama, conforme revelam os Relatórios de Inteligência Financeira nº 146088 e outros dois documentos produzidos pelo órgão vinculado à Receita Federal.
A análise dos relatórios indicou que a Go Up movimentou R$ 19.033.071 entre novembro e dezembro de 2025, sendo R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos, incluindo uma transferência de R$ 750 mil da NTT Brasil para a instituição educacional, configurando uma rede complexa de fluxos que demandou a abertura de inquérito sob a coordenação do ministro Flávio Dino.
O pagamento integral em espécie de um veículo no valor de mais de R$ 100 mil pela empresária Karina Gama acendeu o sinal vermelho do sistema de prevenção à lavagem de dinheiro do Coaf.
Repercussão Legal e Desdobramentos da O peração
A decisão do ministro Flávio Dino autorizou buscas e apreensões contra investigados do caso, com base na necessidade de confrontar os relatórios financeiros com provas materiais e documentais, reforçando que os Relatórios de Inteligência Financeira são instrumentos analíticos e não provas definitivas no âmbito processual penal.
Representantes da Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil ainda não se manifestaram publicamente sobre as diligências, enquanto o Ministério Público Federal aguarda o envio dos laudos periciais para definir as próximas ações judiciais.



