Em junho, uma divisória aberta entre os irmãos Bolsonaro – Flávio e Michelle – permele o cenário político do Ceará, após divergências estratégicas sobre as alianças eleitorais que culminaram na perda de candidatos apoiados pelos dois para os primeiros turnos das eleições estaduais.
Conflito Estratégico e Consequências Eleitorais no Ceará
A apuração revelou que as posições de Flávio Bolsonaro, então senador e figura central no PL cearense, e de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e líder do PL Mulher, divergem quanto à indicação de candidatos para cargos-chave no estado; enquanto ele defendia o apoio velado a Ciro Gomes (PSDB) à Prefeitura e a Alcides Fernandes (PL) ao Senado Federal com o objetivo de conter a ascensão do PT, ela defendia a candidatura de Eduardo Girão (Novo) à Prefeitura e a de Priscila Costa (PL) à Câmara dos Deputados, além da disputa pelo Senado Federal com Priscila Costa.
Antecedentes indicam que o embate teve início com críticas públicas da ex-primeira-dama sobre a condução das negociações por André Fernandes, presidente estadual do PL, e a insatisfação com o descarte da candidatura de Priscila Costa ao Senado Federal, fato que intensificou a percepção de abandono dos princípios partidários por parte da direção do grupo.
O desfecho imediato foi a derrota de Ciro Gomes no primeiro turno da eleição para governo do Ceará, com 46,22% dos votos contra 53,19% de Elmano de Freitas (PT), além da queda de Alcides Fernandes para o quarto lugar na disputa pelo Senado, enquanto Priscila Costa obteve apenas 0,86% dos votos na corrida pela Câmara.
Flávio Bolsonaro apoiou Ciro Gomes para governador e Alcides Fernandes para o Senado no Ceará; Michelle defendeu Eduardo Girão e Priscila Costa.
Repercussão Política e Reconciliação Familiar
A crise gerou manifestações oficiais: André Fernandes, presidente estadual do PL no Ceará, reiterou apoio à estratégia de Flávio, enquanto Michelle afirmou que decisões arbitrárias desrespeitavam a militância e a base conservadora do partido, destacando a necessidade de respeito à hierarquia partidária.
Em julho, após publicação de vídeo de reconciliação por Flávio pedindo desculpas por 'momentos que causaram desconforto', Michelle aceitou o pedido publicamente, afirmando que recebeu as palavras 'com paz' e sinalizando a retomada da unidade no grupo político para o pleito eleitoral.


