O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos podem servir como um termômetro para os rumos das relações bilaterais com o Brasil. A expectativa é que temas atualmente paralisados na agenda diplomática e comercial só tenham andamento após o pleito, uma vez que a gestão Trump concentra toda a atenção no resultado das urnas.
Entre os assuntos pendentes está a negociação sobre o tarifaço aplicado a produtos brasileiros. As tratativas, retomadas em agosto após ligação entre Lula e Trump, perderam fôlego à espera da definição do cenário político brasileiro e, agora, seguem aguardando o desfecho das midterms americanas.
A crise diplomática entre os dois países também é influenciada pela relação entre membros do clã Bolsonaro e o governo norte-americano. Para o Palácio do Planalto, essa coordenação prejudica as relações, especialmente no que diz respeito ao Departamento de Estado e seus laços com aliados da família Bolsonaro.
Outro ponto de tensão é o apoio que a Casa Branca teria fornecido ao senador Flávio Bolsonaro para deixar o Brasil. O senador descumpriu uma decisão judicial ao deixar o país e desembarcar em Miami, após obter vistos de permanência nos Estados Unidos, impondo um desafio adicional à diplomacia brasileira.



