Em meio à crescente preocupação com as doenças cardiovasculares, a nutricionista Thays Pomini reforça que os peixes gordurosos — como salmão, truta e sardinha — são os únicos alimentos naturais capazes de fornecer diretamente EPA e DHA, dois ácidos graxos ômega 3 essenciais para a saúde cardíaca, diferindo-se dos peixes magros por seu elevado teor de gordura insaturada e concentração de vitaminas D, B12 e minerais como selênio e iodo.
Contexto Nutricional e Evidências Científicas
A especialista em nutrição Thays Pomini, pós-graduada em nutrição estética e esportiva, esclarece que o consumo de peixes gordurosos é respaldado por diretrizes das principais sociedades de cardiologia, que priorizam esses alimentos pela capacidade comprovada de reduzir inflamações sistêmicas e prevenir eventos como infartos e acidentes vasculares cerebrais. Ela destaca que o atum em lata conservado em água, apesar de conter apenas 1 grama de gordura por 100 gramas, não se enquadra nessa categoria devido ao descarte do líquido processual, o que elimina praticamente qualquer aporte glicêmico ou lipídico relevante. Segundo seu diagnóstico técnico, a orientação consolidada recomenda duas porções semanais desses peixes para garantir níveis terapêuticos de ômega 3, vitamina D — fundamental para o metabolismo ósseo e imunológico —, vitamina B12, selênio, iodo e zinco, além de proteína de alto valor biológico com alta digestibilidade.
Além do impacto cardiovascular, a composição nutricional desses peixes atua na modulação imunológica, na saúde muscular e na manutenção da densidade mineral óssea, fatores cruciais para a qualidade de vida à medida que o envelhecimento avança. A presença de astaxantina no salmão e na truta — carotenoide responsável pela coloração alaranjada — proporciona efeito antioxidante complementar ao ômega 3, reforçando seu papel preventivo contra danos oxidativos celulares.
O consumo semanal de peixes gordurosos fornece até 2 gramas de EPA e DHA combinados por porção, quantidade considerada terapêutica para redução significativa do risco cardiovascular.
Repercussão Institucional e Diretrizes de Saúde Pública
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) já incorporou a recomendação de duas porções semanais de peixes gordurosos em suas diretrizes clínicas para prevenção secundária das doenças cardiovasculares, citando evidências robustas que atestam a redução de até 30% no risco de morte por causas cardíacas com o consumo regular. A Anvisa reforça essa orientação ao garantir que a rotulagem nutricional dos produtos pesqueiros reflita fielmente o teor de gordura e os perfis de ácidos graxos insaturados.
Especialistas apontam que a substituição sistemática de proteínas vermelhas processadas por peixes gordurosos pode gerar impactos significativos na carga epidemiológica de obesidade, diabetes tipo 2 e dislipidemia, reduzindo o custo total do atendimento à saúde pública em até 15% conforme projeções do Ministério da Saúde.



