Em pleno período eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal, foi formalmente incluído em inquérito da Polícia Federal em 23 de julho, sob autorização do ministro relator André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após solicitação da Procuradoria-Geral da República, em um caso que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção com valores superiores a R$ 134 milhões vinculados ao suposto financiamento de uma cinebiografia sobre o próprio pai.
Contexto Jurídico e Estrutura da Investigação
A abertura do inquérito foi decretada com sigilo de Justiça pelo ministro relator André Mendonça, com base em decisão da Procuradoria-Geral da República, visando preservar a operative integrity das investigações e impedir a divulgação prematura de dados sensíveis que poderiam comprometer o andamento das apurações ou viciar o processo eleitoral em curso.
A investigação, que já havia sido parcialmente revelada por vazamentos anteriores, concentra-se em fatos apurados entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujo envolvimento com o chamado 'caso Master' — que prevê o financiamento irregular de um filme sobre Jair Bolsonaro — já havia sido documentado por áudios e documentos oficiais antes da formalização do inquérito.
O sigilo imposto no caso visa proteger a imparcialidade das investigações, mas também tem sido alvo de críticas por tentar esconder informações relevantes do eleitorado em período tão decisivo para a democracia.
Flávio Bolsonaro nega categoricamente qualquer participação irregular no projeto cinematográfico ou vínculo com Vorcaro, afirmando que os encontros foram meramente sociais e sem movimentação financeira irregular.
Mais de R$ 134 milhões teriam sido movimentados em operações suspeitas para o financiamento da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Repercussão Política e Desdobramentos Eleitorais
O episódio gerou forte reação dentro do Centrão e entre setores da base aliada ao candidato, que distanciaram-se publicamente de Flávio Bolsonaro após a confirmação das investigações e o impacto negativo nas urnas.
A Polícia Federal mantém postura técnica e reservada, enquanto o Ministério Público Federal aguarda o andamento das diligências para eventual formalização de denúncia ou arquivamento do caso.
Com menos de dois meses para o primeiro turno das eleições, a crise coloca em xeque a viabilidade eleitoral do candidato e exige cautela estratégica por parte do Partido Liberal.
Espera-se que as próximas semanas definam não apenas o futuro jurídico do senador, mas também seu papel efetivo na chapa presidencial em formação.



