Vários ex-funcionários da OpenAI disseram que expressaram preocupações internas sobre as práticas de segurança da empresa mesmo antes do lançamento do ChatGPT, no final de 2022. Segundo cinco pessoas familiarizadas com o assunto, os alertas foram levados aos principais líderes e ao conselho administrativo, com a percepção de que a gestão estava mais focada em acompanhar concorrentes como Google e Anthropic do que em proteger informações sensíveis.
Os funcionários argumentaram que os controles eram tão frouxos que pessoas de fora, incluindo governos estrangeiros, poderiam obter detalhes técnicos sobre projetos da IA com relativa facilidade. Qualquer pessoa na empresa com acesso ao código-fonte podia visualizar informações de muitos projetos, pois a maior parte do código estava armazenada em um único repositório, conhecido como "monorepo".
A empresa começou a mudar sua estratégia para lidar com problemas de segurança. Thibault Sottiaux, executivo sênior responsável pelo desenvolvimento de produtos, assumiu recentemente a liderança de uma iniciativa interna para proteger os sistemas internos e realocou um quarto dos engenheiros de produção para aprimorar a infraestrutura de segurança em agosto.
Em 13 de outubro, o Departamento de Justiça dos EUA informou que agentes federais prenderam um cidadão saudita acusado de instalar um dispositivo de gravação de áudio oculto, escondido em papel higiênico, em uma sala de conferências executiva. Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, era engenheiro da OpenAI na época e utilizou uma ferramenta de IA destinada a funcionários para encontrar documentação interna sobre executivos que visitaram a Arábia Saudita.
Alfozan mantinha contato regular com um membro da família real saudita que tentou recrutá-lo para um novo empreendimento de IA no país. Os advogados dele não responderam ao pedido de comentário.
A porta-voz da OpenAI, Elana Widmann, afirmou que a desenvolvedora é uma das organizações mais visadas do mundo e investe muito em seu programa de segurança para se proteger contra ataques internos, cibercriminosos e Estados-nação. Ela disse que proteger a tecnologia, os dados e as pessoas é uma responsabilidade levada a sério e uma questão de importância nacional.
Widmann acrescentou que as ações recentes mostram que o programa está cumprindo seu papel ao identificar riscos e responder de forma decisiva, e que a empresa continuará a fortalecer suas defesas à medida que a tecnologia e as ameaças evoluem.



