O jurista Ives Gandra, conhecido por sua oposição histórica ao PT e por ter elaborado o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, declarou à CNN Brasil que defende o resultado das urnas eletrônicas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro. No entanto, ele considera que houve interferência do Supremo Tribunal Federal no processo eleitoral, caracterizada por decisões monocráticas que, em sua avaliação, deveriam ter sido tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral e acabaram violando a Constituição de 1988.
Entre os exemplos citados por Gandra está o despacho do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação das 17h para as 19h devido a dificuldades no transporte público em capitais como São Paulo e Salvador. Para o advogado, essa atuação do STF dificulta a avaliação do impacto real dessas decisões sobre o resultado final da eleição.
Gandra também comentou a declaração de Flávio Bolsonaro de se autodeclarar presidente eleito após a derrota nas urnas, classificando-a como um erro, embora reconheça que o senador posteriormente corrigiu a posição. O jurista afirmou que Flávio acertou ao deixar o Brasil, pois assim mantém a liberdade de expressar suas opiniões sobre os acontecimentos políticos no país.
O ex-senador Flávio Bolsonaro viajou para Miami com a esposa e as duas filhas depois de a Polícia Federal solicitar a entrega de seus passaportes, determinação relacionada a um inquérito por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a apuração da CNN Brasil, ele teria entrado nos Estados Unidos usando o passaporte diplomático cancelado pela PF e, na Argentina, utilizado a cidadania italiana antes de publicar uma carta com teor golpista se autodeclarando presidente do Brasil.



