Uma denúncia sobre as compras da Unimed Belém levanta questionamentos sobre a atuação de três fornecedoras: North Distribuidora, Cirubel e Divina Med. O relato descreve uma sequência de mudanças nos negócios com a cooperativa e aponta a presença de profissionais das três empresas dentro da Central de Abastecimento Unimed (CAU), além de supostas ligações com um diretor e funcionários do alto escalão.
Segundo a denúncia, o movimento começou com a expansão das vendas da North à cooperativa. Depois, fornecimentos antes realizados pela empresa teriam passado à Cirubel. A mudança, porém, teria preservado uma peça importante da operação: os mesmos equipamentos disponibilizados em comodato pela North.
O ponto exige uma explicação objetiva. Qual acordo permitiu que uma distribuidora utilizasse equipamentos vinculados à operação de outra? Quem autorizou essa utilização? A Unimed registrou e aprovou as condições dessa mudança? O relato não identifica uma ligação societária formal entre North e Cirubel. O suposto aproveitamento dos mesmos comodatos, entretanto, coloca em discussão a relação comercial entre as empresas e os critérios usados pela cooperativa para contratar cada uma delas. A situação, isoladamente, não comprova sociedade oculta ou irregularidade.
No mesmo período, a Divina Med teria passado a vender medicamentos de alto custo à Unimed Belém. Segundo a denúncia, a distribuidora também mantém atuação próxima às outras duas em negócios no estado.
Dentro da CAU, outro episódio teria provocado estranhamento. A denúncia descreve a presença de um grupo de colaboradores que representam as três fornecedoras nas dependências da central de abastecimento — uma situação até então incomum na rotina da cooperativa. Falta esclarecer quais atividades os representantes desempenhavam, quem autorizava sua permanência e a quais setores e informações tinham acesso. A presença de fornecedores pode ter justificativas operacionais; essas justificativas precisam ser identificadas para que o episódio seja compreendido.
A suspeita mais grave mencionada é a de proximidade das empresas com um diretor e colaboradores do alto escalão da cooperativa. É nesse ponto que a transparência se torna decisiva. Contratos, notas fiscais, cotações, autorizações de comodato e registros de acesso podem esclarecer a sequência descrita, além de demonstrar se as decisões seguiram critérios comerciais justificáveis.
A cobrança à Unimed Belém é concreta: explicar como escolheu as fornecedoras, esclarecer o uso dos comodatos e informar quais regras orientam a presença de representantes comerciais na CAU — decisões que envolvem recursos da cooperativa e interessam diretamente aos cooperados e beneficiários. Em respeito ao contraditório, deixamos aberto o espaço para que, caso queiram, a Unimed e as empresas citadas se manifestem.



