O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstra pressa para definir a composição de seu quarto mandato. Segundo aliados, a definição dos nomes dos ministros deve ocorrer apenas em dezembro, enquanto emissários começam a conversar com partidos e lideranças políticas a partir desta semana.
A estratégia do Planalto será priorizar a fidelidade dos partidos escolhidos para o alto escalão do Executivo federal. O critério será mais rigoroso do que no atual mandato, quando legendas que ocuparam pastas votaram contra o governo em diversas ocasiões no Congresso Nacional.
Edinho Silva, presidente nacional do PT, foi escolhido por Lula para conduzir as primeiras conversas com partidos do centro sobre a composição do governo. Os encontros devem começar na terça-feira (3/11), após o feriado de Finados, com participação de outros emissários e possivelmente do próprio presidente.
Diante de um Congresso dominado pela oposição, Lula busca garantir a governabilidade através de um compromisso de fidelidade firmado com o Executivo. No segundo turno das eleições presidenciais, os principais partidos do Centrão declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas.
Sem apoio formal dos partidos, a estratégia de Lula foi buscar apoios individuais de lideranças políticas, como o presidente do Senado Federal Davi Alcolumbre (União-AP) e o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB). No caso de Motta, o diretório estadual do Republicanos na Paraíba divergiu da cúpula nacional e formalizou apoio a Lula.
Nos bastidores, surgem nomes considerados fundamentais para a reeleição de Lula, como o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador do Piauí Rafael Fonteles (PT) e o deputado federal André Janones (Rede-MG). Camilo Santana é cotado para assumir a Casa Civil no próximo mandato.
Rafael Fonteles é apontado para comandar o Ministério da Fazenda, embora tenha negado publicamente ter conversado com Lula sobre ocupar um cargo no novo mandato. Outros nomes para a Fazenda incluem o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), visto como capaz de transmitir equilíbrio ao mercado financeiro.
A composição do novo governo também terá de acomodar aliados próximos de Lula, incluindo políticos da esquerda e centro-esquerda que não conseguiram se eleger ou decidiram não disputar as eleições para se dedicar à campanha. Entre eles estão Guilherme Boulos (PSol-SP), Alexandre Padilha (PT-SP) e José Guimarães (PT-CE).



