O Grupo Panvel registrou lucro líquido ajustado de R$ 46,4 milhões no terceiro trimestre, alta de 35,4% na comparação anual, com receita bruta de R$ 1,7 bilhão e expansão de 15,3%. O CFO Antonio Napp atribuiu o resultado a uma mudança estrutural na rentabilidade e destacou que a companhia cresce acima de 15% a cada trimestre.
As vendas nos canais digitais mais que dobraram no período, com alta de 104%, e já respondem por 46,6% da receita bruta do varejo. Desses, 78,5% das compras digitais são feitas pelo aplicativo da empresa. Napp explicou que a aceleração começou com uma revisão da jornada do cliente nas lojas físicas, iniciada em abril, transformando o app em uma ferramenta de compra e descoberta usada dentro das unidades.
A estratégia integrou o ambiente físico e digital, permitindo entregas em até 15 a 30 minutos e baixo nível de atrito para o consumidor. Outro destaque foi o avanço de 68,8% nos produtos GLP-1, conhecidos como "canetas emagrecedoras", que representam mais de 11% das vendas no varejo da Panvel. A empresa é líder nessa categoria na região Sul do país.
Napp apontou que a queda nos preços desses produtos tem atraído consumidores que antes recorriam ao mercado informal. Ele revelou que "o mercado negro, que é o contrabando, o descaminho de canetas emagrecedoras, é no mínimo o dobro do mercado formal". Para 2027, a expectativa é de ampliação com a chegada de novos produtos, incluindo versões orais do GLP-1.
Sobre o cenário de juros elevados e endividamento da população, Napp adotou tom cauteloso, mas confiante. Segundo ele, farmácias costumam ser menos impactadas que outros setores do varejo por trabalharem com produtos de primeira necessidade. A empresa se prepara para oferecer opções acessíveis a consumidores com menor poder de compra.
