Na terça-feira, 24 de setembro de 2024, a Bolsa Brasileira alcançou um novo patamar histórico ao registrar entrada líquida de R$ 10 bilhões por parte de investidores estrangeiros em um único pregão, superando todos os registros anteriores do ano e consolidando-se como o segundo maior fluxo de capital estrangeiro já documentado em um dia útil, atrás apenas do recorde de janeiro, que totalizou R$ 26,3 bilhões em ingressos totais. O movimento ocorreu no contexto de forte volatilidade cambial e reavaliação de riscos geopolíticos, especialmente diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que provocaram pressão sobre os preços do petróleo e reforçaram o apelo por ativos com exposição a commodities emergentes. A operação foi efetivada por meio de aportes em ações e contratos futuros negociados na B3, com destaque para as empresas mais negociadas, como Petrobras, Vale e Itaú Unibanco, que absorveram grande parte do volume.
Contexto Institucional e Movimentação de Capital Extraterrestre na B3
A análise detalhada dos dados divulgados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) indica que o fluxo de R$ 10 bilhões representou 25% do volume total negociado no dia, refletindo uma mudança significativa no apetite internacional por ativos brasileiros. Esse valor isolado superou em 67% o recorde anterior de agosto, que havia sido de R$ 6 bilhões, e manteve o Brasil entre as principais atrações de capital estrangeiro no cenário emergente. O movimento ocorreu após a primeira rodada das eleições presidenciais, evento que trouxe incerteza política, mas também sinalizou estabilidade fiscal aos olhos de investidores globais que buscam diversificação fora dos mercados norte-americanos e europeus.
Nos últimos quatro meses, o Brasil consolidou-se como destino preferencial para recursos externos, acumulando entradas líquidas positivas de mais de R$ 40 bilhões em 2024 até setembro, um recorde histórico para o período. Esse montante supera em 30% o total registrado em todo o ano anterior (R$ 30 bilhões), indicando uma mudança estrutural no perfil de alocação global. Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e apresentadora do programa 'Resenha do Dinheiro', destacou que a combinação entre alta volatilidade cambial e oportunidades setoriais específicas — especialmente em energia e mineração — tem estimulado uma reconfiguração nas carteiras internacionais.



