A proximidade do Enem levanta dúvidas sobre os temas exigidos na prova, e a questão climática surge como um dos assuntos que podem ser abordados nos principais vestibulares do país. Nos últimos anos, fenômenos como ondas de calor e enchentes passaram a integrar as discussões interdisciplinares de escolas e cursinhos, especialmente após eventos extremos confirmados por instituições como o INMET e a NOAA.
Exemplos recentes incluem a Fuvest 2025, que utilizou as enchentes do Rio Grande do Sul para explorar a transformação de funções matemáticas, e a Unicamp 2025, que abordou o mesmo evento na primeira fase. Marcos Benfica, coordenador pedagógico da Verbum Educação, destaca que esses fenômenos podem envolver áreas como Ciências da Natureza, Geografia, Matemática e cidadania.
Lidiane Olo, sócia e diretora editorial de Educação Básica da Cogna, explica que conteúdos de climatologia, como frentes frias, massas de ar e o El Niño, são frequentemente cobrados pelo Enem. Ela também menciona a possibilidade de abordagem sobre o tsunami meteorológico, embora seja menos provável devido à natureza abrangente do exame na área de clima.
Aluísio Júnior, autor do sistema de ensino pH na Cogna Educação, acredita que o tema pode ser tratado sob a ótica da política e da preparação governamental para eventos climáticos. Segundo ele, os governos locais e suas estruturas para lidar com ocorrências desse tipo podem ser analisados nas provas.
Carolina Lemos, coordenadora editorial de Ciências Humanas da Verbum Educação, ressalta que os vestibulandos devem diferenciar um fenômeno meteorológico natural de um desastre socioambiental. Para ela, as bancas avaliam a capacidade do candidato de relacionar fatores físicos a escolhas econômicas, desmatamento e desigualdades socioespaciais.
A especialista alerta que questões burocráticas sobre leis ambientais são raras nos vestibulares, diferentemente dos concursos públicos. No entanto, é fundamental que o candidato compreenda a aplicação prática dessas leis em conflitos territoriais e impactos ecológicos.
Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos da Cogna Educação, reforça a importância das atualidades no plano de estudos. Ela sugere que obras literárias e informativas ajudem os estudantes a conectar fenômenos climáticos a dilemas sociais, políticos e econômicos.



