O receio de deportação por parte do ICE pode elevar significativamente a abstenção dos brasileiros em situação migratória irregular nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, segundo o cônsul-geral do Brasil em Nova York, Adalnio Ganem, que destacou o impacto do temor na participação eleitoral neste ano.
Contexto Institucional e Histórico da Abstenção Eleitoral
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Itamaraty em 2023,265 mil brasileiros residentes nos Estados Unidos, representando 12,77% do total estimado de 2,075 milhões de brasileiros no país, possuem direito ao voto, embora o número real de aptos a votar varie devido à ausência de discriminação por idade nas estimativas; fiscais do PL e do PT, ao monitorar o processo eleitoral no Queens College, relataram que eleitores de ambos os partidos têm evitado comparecer às urnas motivados pelo receio de ações do ICE, especialmente após o incremento das detenções durante o governo de Donald Trump.
Antecedentes indicam que a abstenção habitual nos Estados Unidos gira em torno de dois terços dos eleitores, mas o temor crescente com a atuação da imigração americanas pode superar esse patamar em 2026, conforme observa o embaixador Ganem, que já participou de seis pleitos; a mudança do local de votação para o campus no Queens, escolhido por sua organização e segurança, busca mitigar incidentes, embora a distância — com deslocamento de até duas horas e meia para eleitores vindos do Nova Jersey — tenha contribuído para a desistência de comparecer à urna.
Mais de 12% dos 2,075 milhões de brasileiros no exterior estão aptos a votar nos EUA, mas o temor da deportação por parte do ICE pode reduzir drásticamente a participação eleitoral.
Repercussão Jurídica e Cenários Futuros
Fiscais partidários e autoridades consulares reforçam que o baixo engajamento se deve à insegurança gerada pela política migratória americana, com destaque para a retenção de cidadãos em situação irregular, enquanto o embaixador Adalnio Ganem asseverou que o consulado não compartilha dados dos brasileiros com as autoridades norte-americanas, garantindo proteção diplomática.
O cenário aponta para um fortalecimento das medidas de segurança no processo eleitoral e para diálogos entre os três Poderes sobre a necessidade de preservar o direito ao voto sem expor os cidadãos a riscos jurídicos ou físicos.
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