A área internacional do Palácio do Planalto avalia que o Brasil deve aguardar a "decanção" da situação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro antes de conceder o aval diplomático ao indicado de Donald Trump. A decisão se baseia na percepção de que não faz sentido autorizar a chegada do novo embaixador enquanto o presidente americano questiona a legitimidade do processo eleitoral brasileiro, sugerindo fraudes sem apresentar provas.
O Itamaraty também monitora qual será a estratégia da Casa Branca em relação ao Brasil após as eleições de meio de mandato nos EUA, que definirão a composição do Congresso local. Até o momento, Trump não parabenizou Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória, embora tenha afirmado que gosta do presidente e que se dá bem com ele.
O governo Lula optou por não se manifestar oficialmente sobre as declarações do republicano nem sobre uma suposta participação da Casa Branca na fuga de Flávio Bolsonaro. Apesar da avaliação do Planalto ser de aguardar a concessão das cartas credenciais, a competência técnica para a análise do agrément é do Itamaraty, processo que tramita sob sigilo.
Daniel Perez, presidente da Câmara de Representantes da Flórida e alinhado a Trump, foi anunciado como indicado para a embaixada em junho e teve a nomeação aprovada pelo Senado americano em agosto por 51 votos a favor e 47 contrários. O Brasil não tem embaixador dos Estados Unidos desde janeiro de 2025, sendo representado atualmente pelo encarregado de Negócios Gabriel Escobar.
A tensão diplomática se intensificou após o Departamento de Estado americano revogar, em agosto, o visto de entradas múltiplas da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. O secretário de Estado Marco Rubio alegou reciprocidade devido à demora do Brasil em autorizar o novo embaixador americano no país.



