Homem estava armado em parque de diversões repleto de crianças durante agressões; suspeito é policial civil
Agressões a adolescentes ocorreram em parque cheio de crianças enquanto suspeito estava armado. (Foto: reprodução)
Um apoiador de Flávio Bolsonaro (PL), armado, foi filmado agredindo adolescentes em um parque infantil onde havia crianças, na noite desta quinta-feira (22), em Moju, no nordeste do Pará. O suspeito é policial civil e aparece com uma arma presa à cintura em vídeos que circulam nas redes sociais.
A ocorrência aconteceu na praça matriz do município. Em um vídeo publicado após a repercussão do caso, o policial afirma que foi ao local com a filha, de 8 anos, e a neta, de 1 ano e meio. Ele reconheceu que errou ao não chamar a Polícia Militar, mas apresentou uma versão diferente sobre o início da confusão.
O policial afirma que os adolescentes também o agrediram e diz que eles teriam tentado atacá-lo por causa da camisa de Flávio Bolsonaro. No mesmo relato, declarou que já votou em Lula em eleições anteriores e que pretende votar em Flávio Bolsonaro neste ano, mas negou que o episódio tenha relação com o bolsonarismo.
“Eu poderia dizer aqui para vocês, eu errei sim, eu errei sim, por não ter chamado a Polícia Militar para tirar eles do parque”, afirmou. Ele também alegou que os jovens estavam utilizando um brinquedo que, na avaliação dele, era destinado a crianças menores.
Advogado relata ferimentos e pede apuração
O advogado Alan Reis, que representa os adolescentes, acompanhou os familiares na delegacia de Moju. Segundo ele, os pais foram ouvidos pela polícia e os jovens passaram por uma avaliação preliminar para registro das lesões por meio de exame de corpo de delito.
O advogado relatou que um dos adolescentes apresenta uma lesão cortante na região da cabeça, além de outras escoriações. Ele ressaltou que ainda não seria possível afirmar com precisão a extensão e a gravidade dos ferimentos, que deverão ser avaliadas por perícia do Instituto Médico Legal (IML).
Durante o atendimento na delegacia, uma das mães pediu proteção por temer pela vida do filho. De acordo com o advogado Alan Reis, até a noite de ontem o procedimento ainda não havia sido concluído e os adolescentes deveriam ser chamados para prestar depoimento na manhã desta sexta-feira (23).
O advogado também afirmou que o caso pode envolver apuração criminal por lesão corporal e eventual responsabilização administrativa do policial pelo uso de uma arma pertencente ao poder público. Ele destacou, porém, que a definição dos fatos e de possíveis responsabilidades depende da investigação.
“Eu acho que é uma circunstância complexa e que não me cabe fazer juízo de valor, mas que deve ser apurado com todo o rigor que a lei ordena”, declarou.
O Estado do Pará Online procurou a Polícia Civil do Pará para esclarecer a situação administrativa do policial após as agressões e saber se foram adotadas medidas em relação ao caso. Até a publicação desta matéria, o portal ainda aguardava retorno.



