Hugo Motta (Republicanos-PB) costurou uma aliança com 15 partidos que elegeram juntos 361 deputados, assegurando sua posição para a reeleição na presidência da Câmara em 1º de fevereiro de 2027. Com isso, o presidente da Casa pressiona o PL, que, apesar de ter a maior bancada com 121 deputados, não possui votos suficientes para lançar uma candidatura competitiva sozinho.
A resistência do PL em apoiar Motta está ligada ao apoio dele à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fato criticado por deputados bolsonaristas. O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), adiou a decisão final para a próxima semana, alegando a necessidade de ouvir os novos eleitos antes de definir a postura da legenda para o dia 1º de fevereiro.
No Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tenta conter o avanço da oposição para garantir sua reeleição. O PL oficializou a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), mas a legenda tem apenas 29 dos 81 senadores, sendo necessário pelo menos 41 votos para vencer a disputa.
A estratégia do Senado se complica ainda mais pela pré-candidatura de Tereza Cristina (PP-MS), que também busca votos para presidir a Casa. A existência de duas candidaturas no mesmo campo político favorece Alcolumbre, que conta com o apoio da base de Lula e busca atrair votos da direita.
Como parte dessa estratégia de aproximação, Alcolumbre deve referendar a indicação do senador Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027. Gomes afirmou à reportagem que a escolha seguiu o procedimento habitual da Comissão Mista de Orçamento (CMO), a partir de indicações dos líderes partidários.



