Presidente dos Estados Unidos questionou o resultado do segundo turno, confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou em dúvida o resultado das eleições brasileiras nesta segunda-feira (26), um dia após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sem apresentar provas de irregularidades, o republicano afirmou que a votação pareceu ter sido fraudada, mas, ao mesmo tempo, disse que gosta do presidente brasileiro e mantém uma boa relação com ele.
Questionado por jornalistas sobre o resultado, Trump declarou que não havia apoiado nenhum dos candidatos. “Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”, afirmou. Em seguida, acrescentou que a votação lhe pareceu “muito ruim”, segundo informações do g1.
O presidente americano também comentou a decisão que permitiu a prorrogação do horário de votação em algumas seções eleitorais. Apesar das críticas, descartou qualquer responsabilidade sobre o processo eleitoral brasileiro. “Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, disse.
Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL), aliado político de Trump, no segundo turno realizado no domingo (25). O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O resultado foi anunciado ainda na noite de domingo pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
Entenda a polêmica sobre o horário de votação
As declarações de Trump acontecem após Flávio Bolsonaro afirmar que não reconheceria o resultado da eleição e que buscaria a anulação da votação na Justiça. O senador questiona a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em seções que ainda estavam funcionando.
A medida foi tomada depois que as duas campanhas relataram dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes regiões do país. A equipe de Lula apontou problemas no transporte público, enquanto a campanha de Flávio também pediu a ampliação do horário em municípios atingidos por fortes chuvas, onde alagamentos e dificuldades de acesso prejudicaram o deslocamento até os locais de votação.
Após a decisão, Zanin esclareceu que a prorrogação não permitiria a reabertura de seções que já haviam encerrado as atividades. A extensão valeria somente para aquelas que permaneciam abertas no momento da determinação judicial.
Segundo levantamento do g1, feito com dados do TSE, 35.521 votos foram registrados após as 17h. O número representa uma parcela pequena diante da vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos obtida por Lula. Mesmo que todos os votos registrados após esse horário fossem atribuídos ao presidente, eles não seriam suficientes para alterar o resultado da eleição.
Assessor de Lula rebate declaração de Trump
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, também comentou as declarações do presidente americano. Em entrevista ao g1, ele classificou a fala de Trump como contraditória e afirmou que o republicano estaria mal informado sobre o processo eleitoral brasileiro.
Amorim ainda acusou a Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, de ter prejudicado a campanha petista ao restringir publicações. A acusação foi feita pelo assessor e não representa uma irregularidade comprovada.
Enquanto Trump questionou o resultado, outros líderes de direita da América Latina, entre eles o presidente colombiano Abelardo de la Espriella e a presidente peruana Keiko Fujimori, reconheceram a vitória de Lula e enviaram mensagens de congratulação ao brasileiro.



