O índice de Small Caps da Bolsa brasileira encerrou a semana com queda de 32,79%, a maior desvalorização semanal de toda a sua série histórica, segundo levantamento da Elos Ayta divulgado na sexta-feira (30). O resultado supera com ampla diferença as perdas registradas durante algumas das maiores crises financeiras internacionais das últimas décadas.
Ainda conforme o levantamento, o desempenho evidencia a intensidade da reação do mercado brasileiro ao resultado do segundo turno das eleições, que confirmou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até então, a maior queda semanal do SMLL havia sido registrada em 10 de outubro de 2008, quando o índice recuou 23,41%, durante a crise financeira global agravada pela falência do banco americano Lehman Brothers.
A terceira maior perda ocorreu na semana encerrada em 20 de março de 2020, em meio à pandemia de Covid-19, quando o índice caiu 22,21%. Já a quarta maior queda também foi registrada durante a crise sanitária, na semana de 13 de março de 2020, com recuo de 18,66%. Para completar o ranking, aparece a semana de 3 de outubro de 2008, quando o índice perdeu 14,94%.
Diferentemente dos episódios históricos anteriores, a queda desta semana teve como principal fator um acontecimento doméstico: a vitória de Lula, que contrariou as expectativas de parte dos investidores. O resultado das urnas desencadeou uma forte correção no mercado acionário brasileiro.
A intensidade do movimento também está relacionada às características das empresas que compõem o SMLL. Companhias de menor capitalização tendem a ser mais sensíveis às expectativas sobre juros, crédito e crescimento econômico. Além disso, a menor liquidez de diversas ações desse segmento pode ampliar as oscilações de preços em períodos de forte pressão vendedora.
Essa combinação ajuda a explicar a dimensão do recuo: enquanto o SMLL caiu 32,79% na semana, o Ibovespa perdeu 18,12%. Ainda conforme o levantamento, o episódio demonstra como mudanças abruptas nas expectativas políticas e econômicas podem afetar intensamente as empresas de menor capitalização.



