Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o Brasil registrou, em média, 201,6 tentativas de golpes digitais por cidadão adulto, totalizando 34 bilhões de abordagens que geraram 16,5 milhões de vítimas e prejuízos de R$ 21,2 bilhões, conforme o relatório 'O Estado dos Golpes no Brasil 2026', revelando uma escalada sem precedentes na cibercriminosidade com o uso estratégico de inteligência artificial para manipulação emocional.
Estrutura e Mecanismos da Cibercriminosidade Moderna
Investigações da DCCiber da Polícia Civil de São Paulo demonstram que os criminosos operam com precisão cirúrgica, utilizando listas segmentadas com dados pessoais dos alvos para personalizar campanhas de estelionato, explorando padrões psicológicos como medo, urgência ou ganância para induzir a ação automática sem análise crítica.
O estudo aponta que a tecnologia de IA é empregada para criar vozes e mensagens hiper-realistas, simulando parentes em perigo ou atendentes bancários, enquanto links falsos e sites de comércio eletrônico fraudulentos visam extrair dados bancários e sensíveis com engenharia social aprimorada.
Foram 34 bilhões de abordagens que resultaram em 16,5 milhões de vítimas e R$ 21,2 bilhões em prejuízos entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Prevenção
O delegado Paulo Barbosa, responsável pela investigação da DCCiber, enfatiza que a combinação entre IA e psicologia aplicada constitui um 'ecossistema fraudulento' projetado para maximizar o impacto financeiro por vítima, com cada golpe gerando em média R$ 1.287 – equivalente a 79,3% do salário mínimo de 2026 – evidenciando a vulnerabilidade sistêmica da população.
A Polícia Federal reforça a necessidade de medidas preventivas imediatas, orientando que vítimas interrompam contato com suspeitos, validem informações por canais oficiais e registrem ocorrências com provas documentais para facilitar inquéritos policiais e rastreamento de transações via Pix.
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