Nesta terça-feira (29/9), a Polícia Federal concluiu diligências da O peração Polaridade em Magé e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, apreendendo um fuzil calibre 7,62 mm e duas pistolas adquiridas por meio de documentos falsos, evidenciando um esquema de fraude na aquisição e registro de armamentos por colecionadores e caçadores. O caso integra o desdobramento da investigação que já resultou na apreensão de 10 fuzis e sete pistolas desde a primeira fase da operação, deflagrada em 4 de setembro, com 20 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão.
Investigação sobre fraudes na aquisição e registro de armamentos por CACs
A apuração da Polícia Federal revelou que as armas apreendidas estavam registradas no sistema Sinarm-CAC, órgão vinculado ao Ministério da Justiça responsável pelo controle de armas de fogo para colecionadores, atiradores desportivos e caçadores. O s suspeitos teriam apresentado documentos falsos à PF para regularizar a aquisição, com os armamentos já pagos e aguardando a emissão do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), o que permitia sua retirada legal pelos compradores. A análise dos registros indicou indícios claros de adulteração documental em pelo menos três estabelecimentos comerciais autorizados na Baixada Fluminense.
Antecedentes da O peração Polaridade apontam para um esquema estruturado de corrupção envolvendo intermediários e burocratas do próprio sistema de registro, com indícios de repasse indevido de valores e falsificação de assinaturas em formulários oficiais. A PF mantém sigilo sobre os nomes dos envolvidos até o cumprimento das medidas cautelares, mas confirma que as investigações seguem com foco na desconstrução do quadro fraudulento que compromete a segurança pública.
Foram recolhidos 10 fuzis calibre 7,62 mm e sete pistolas desde o início da O peração Polaridade, somando 17 armas irregulares em poder ilegal.
Repercussão institucional e próximos desdobramentos da investigação
A Polícia Federal comunicou que as apurações serão ampliadas para incluir eventuais intermediários financeiros e funcionários públicos envolvidos na liberação dos Certificados de Registro de Arma (CRAF), com possibilidade de enquadramento por crimes como falsidade ideológica, associação criminosa e corrupção passiva. O Ministério da Justiça reforçou a necessidade de auditoria rigorosa nos processos do Sinarm-CAC, enquanto o Conselho Federal de Classe (CFC) deve avaliar sanções administrativas aos CACs cuja documentação foi fraudada.
Especialistas apontam que a continuidade das fraudes pode levar à suspensão temporária ou definitiva dos licenciamentos dos estabelecimentos comerciais envolvidos, além da aplicação de multas e ônus processuais aos responsáveis diretos. A PF sinaliza que novas diligências ocorrerão nos próximos dias para identificar possíveis beneficiários finais das armas apreendidas.



