Na última terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, principal banco digital do país, após constatar que a solvência da instituição estava abaixo da metade do mínimo exigido para operar. A medida resultou no bloqueio das contas de aproximadamente três milhões de clientes, número que representa quase metade da população paraguaia, e no congelamento de ativos e passivos.
O Ueno Bank administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos do Estado, sendo muitos clientes aposentados. A crise se intensificou devido a supostos empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, proprietário da instituição, o que afetou títulos em dólares do banco e títulos soberanos do país. O presidente Santiago Peña era sócio do grupo proprietário até março de 2025, fator que alimenta as acusações de conflito de interesses.
Como resposta à situação, o presidente Peña solicitou a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central. Paralelamente, 35 deputados opositores protocolaram um pedido de impeachment contra Peña e seu vice, alegando conflito de interesses, cooptação do Estado e desvio de fundos de aposentadorias. O Ministério Público também iniciou investigação criminal, ordenou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco e imputou 27 indivíduos por irregularidades financeiras.
Peña e o Banco Central classificam o episódio como um caso isolado que não compromete o sistema financeiro nacional. A Asoban informou que as demais instituições continuam operando normalmente, enquanto a Superintendência de Bancos nomeará auditores para verificar a situação patrimonial da Ueno.



