A corrida para construir infraestrutura de inteligência artificial está levando gigantes de tecnologia a captar volumes crescentes de dívida, com potencial para pressionar os juros de longo prazo e ampliar riscos no sistema financeiro, segundo estudo do BIS (Banco de Compensações Internacionais). Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e Oracle emitiram US$ 222 bilhões em títulos até 22 de setembro de 2026. Nos papéis com vencimento em dez anos ou mais, as captações equivaleram a cerca de 13% das emissões brutas do Tesouro americano nesses mesmos prazos, ante aproximadamente 1,5% em 2024. A participação dessas cinco companhias nas emissões de longo prazo do mercado corporativo americano avançou de cerca de 3% para 24% no período. Considerando o teto das projeções divulgadas pelas empresas, os gastos de capital das cinco gigantes devem superar US$ 800 bilhões neste ano, equivalente a aproximadamente 2,5% do PIB dos Estados Unidos.
Os títulos emitidos pelas empresas de tecnologia disputam espaço nas carteiras de investidores que também compram dívida pública e papéis de outras companhias. Com mais opções de aplicações de longo prazo, esses compradores podem exigir remuneração maior para absorver a oferta. Esse mecanismo pode atingir tomadores de crédito sem qualquer ligação direta com inteligência artificial, pois os juros dos títulos do Tesouro americano servem de referência para o financiamento imobiliário, as captações das empresas e as taxas de longo prazo de outras economias. Até agora, porém, os efeitos identificados pelo estudo foram pequenos e passageiros: em 18 pregões de 2026 com notícias relacionadas ao financiamento da inteligência artificial, foi encontrada uma alta adicional de aproximadamente 1,5 ponto-base no prêmio exigido pelos investidores para carregar títulos americanos de dez anos, após controlar outros fatores que movimentam o mercado. A alta observada foi revertida em até dois pregões.



