O movimento MAGA sofreu derrotas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, mas continua com presença dominante tanto na sociedade americana quanto dentro do Partido Republicano, segundo avaliação de Feliciano de Sá Guimarães, professor de Relações Internacionais da USP. O especialista afirmou que não há forças opositoras claras dentro do partido que questionem a centralidade do movimento.
Guimarães observou que alguns membros republicanos fazem oposição discreta a Trump e atribuem responsabilidades a integrantes do governo ou ao próprio ex-presidente para se distanciar politicamente. Ele citou o caso do vice-presidente JD Vance, mas alertou que seria um erro subestimar a força do MAGA, que está aliado a movimentos de extrema-direita internacionalmente, inclusive no Brasil.
O professor considerou muito possível que Trump tenha papel decisivo na definição do próximo candidato republicano à presidência. Caso a aprovação de Trump caia abaixo de 30%, candidatos republicanos tentarão se afastar dele; caso contrário, sua influência sobre o partido permanecerá significativa.
Ao avaliar os resultados das eleições de meio de mandato, Guimarães destacou que derrotas do partido do presidente incumbente nesse tipo de pleito são historicamente normais nos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Para ele, a maior derrota republicana foi a mudança no Senado, e não na Câmara dos Deputados. Os democratas já contavam com 54 senadores e devem manter o controle da câmara alta até 2032.
