O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto cancelou o depoimento previsto para a tarde desta quarta-feira (7) no inquérito da Polícia Federal que apura a relação entre servidores do BC e o empresário Daniel Vorcaro, no caso Master, ampliando o cerne das investigações que já se estendem desde 2023.
Contexto Institucional e Procedimental do Inquérito
A Polícia Federal mantém um inquérito formal em curso que investiga supostas irregularidades envolvendo servidores do Banco Central e o empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, com foco em possíveis atos de corrupção e influência indevida no âmbito financeiro nacional. O depoimento de Campos Neto, que ocupou o comando do BC entre 2016 e 2021, foi cancelado sem justificativa formal, sob a autoridade conferida pela legislação processual que permite adiar o interrogatório sem exposição de motivo. A PF já havia acionado o ex-presidente como testemunha para esclarecer se teve conhecimento da suposta parceria entre Vorcaro e os ex-diretores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves, acusados de receber propina ao longo de anos.
Antecedentes revelam que durante a gestão de Campos Neto, Vorcaro transformou o extinto Banco Máxima em Banco Master, elevando seu patrimônio a cerca de R$ 40 bilhões, operação que contou com apoio institucional da instituição financeira central. O caso segue com últimos interrogatórios previstos para outubro, conforme indicado nos planos investigatórios da PF, e já conta com depoimentos de autoridades recentes, incluindo Gabriel Galípolo, atual presidente do BC.
O inquérito da PF sobre os servidores do Banco Central com Daniel Vorcaro tem previsão de término em outubro.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Futuros
A ausência de esclarecimentos por parte de Campos Neto reforça a tensão institucional entre o Executivo Financeiro e as investigações policiais, especialmente após declarações recentes de Vorcaro que sugeriram envolvimento direto da cúpula do BC na aprovação da fusão entre Master e BRB, negociada em R$ 12 bilhões. A defesa do ex-presidente ainda não foi localizada para comentar o cancelamento, mantendo silêncio diante da pressão mediática e institucional.
O desfecho deste inquérito poderá redefinir os contornos das relações entre servidorado público de alta renda e agentes privados no setor financeiro brasileiro, com possíveis efeitos sobre futuras nomeações e medidas disciplinares dentro do Banco Central.


