O mercado financeiro amanheceu exaltado, nesta segunda-feira (26/10), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar disparou e chegou a valer R$ 5,60, enquanto a bolsa de valores do Brasil (B3) opera em forte queda, despencando 16,77% às 11h34.Analistas ouvidos pelo Metrópoles atribuem o movimento a uma frustração com a expectativa da vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República.Com 100% das seções eleitorais apuradas, Lula teve 64.255.891 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.Frustração e preocupação com contas públicasProfessora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Conselho Regional de Economia de São Paulo, a economista Carla Beni considera que o mercado havia ficado empolgado com o resultado de primeiro turno, que colocava Flávio à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).A professora lembra que houve uma “lua de mel muito rápida”, com recorde de alta na bolsa, com mais de 209 mil pontos, na segunda-feira (5/10) após o primeiro turno — também houve queda do dólar.“Isso foi se intensificando durante todo esse período e as apostas em cima das pesquisas estão muito no reflexo hoje do mercado financeiro, do circuit breaker, porque houve uma ruptura dessas pesquisas”, indica Beni.O mercado apostou que Flávio teria mais chances de ajustar as contas públicas, com o prometido “tesouraço” nos gastos do governo. No entanto, a expectativa de Carla Beni é que a tensão no mercado se acomode nos próximos dias, pois “durante todo o mandato do Lula a bolsa bateu recordes em cima de recordes”.“Então isso já era esperado de que ele tivesse que fazer esse ajuste e essa semana vai ser assim, uma relação meio esquizofrênica, onde você vai ter ajustes muito fortes no mercado financeiro e sempre lembrando que onde você observa essas grandes quedas dessas ações também são grandes oportunidades de negócios”, assinala.O presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), Carlos Eduardo Oliveira Jr. considera que os investidores não estão centrando as preocupações no potencial de crescimento da economia, “mas na capacidade do governo de equilibrar esse crescimento com a preservação das contas públicas”.“Por outro lado, acredito que essa frustração inicial pode ser temporária. A experiência demonstra que os agentes financeiros costumam ser pragmáticos e avaliam governos pelos resultados efetivamente entregues. Se a nova administração demonstrar compromisso com a responsabilidade fiscal, segurança jurídica e previsibilidade regulatória, a confiança tende a ser restabelecida”, avalia.Questão fiscal no centroEconomista e professor da FIA Business School, Marcos Piellusch analisa que o mercado está cobrando um prêmio maior pelo risco fiscal atribuído ao governo Lula para os próximos quatro anos.“Esse movimento foi muito intenso por conta da surpresa, da concentração de apostas e, de certa forma, da baixa liquidez na abertura. Esses componentes acabam formando uma combinação explosiva. Quando todo mundo tenta sair pela mesma porta ao mesmo tempo, todo mundo acaba tendo a mesma posição”, exemplifica.A questão fiscal a que Piellusch diz respeito é o compromisso do governo para o controle da dívida pública do país, que alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto deste ano. Durante o mandato, Lula seguiu o Arcabouço Fiscal, regra de controle de gastos que prevê fim de déficits e aumento progressivo de superávit primário — valor apurado sem considerar os juros da dívida pública.Flávio prometeu um “tesouraço” nos gastos, mas sem indicar em que áreas isto seria materializado. O mercado considera que a proposta da coordenação da campanha econômica de Lula não será suficiente para o controle da dívida.Piellusch contextualiza, em relação ao dólar, que o cenário pode vir a ter reflexo na definição da taxa básica de juros. O Comitê de política monetária nacional, que define a taxa, se reúne no próximo dia 3.“Do lado do dólar, essa alta reflete a saída de capital estrangeiro e a recomposição do prêmio de risco. Se esse nível persistir, né, se a gente continuar com o dólar nesse patamar, pode haver um efeito naturalmente sobre a inflação, sobretudo em alimentos, combustíveis e produtos importados. O que pode reduzir ainda mais o espaço do Banco Central para cortar juros. Mas, veja, esse dia de estresse não define necessariamente uma tendência”, ressalva.Tremor no mercadoA bolsa brasileira (B3) acionou o circuit breaker logo na abertura do pregão desta segunda. O mecanismo não era utilizado desde a decretação da pandemia da Covid-19, em março de 2020. O mercado foi retomado às 10h40 e às 10h46 mergulhava mais de 16% em torno dos 170 mil pontos.O dólar comercial abriu esta segunda operando em alta em relação ao fechamento da última sexta-feira (23/10). Às 9h, a moeda norte-americana abriu em forte alta, de 8,65%, e chegou a R$ 5,42, a maior valorização intradiária desde janeiro. Às 9h30, a moeda tinha alta de 12,52%, chegando aos R$ 5,60.Houve desaceleração na alta do dólar e a moeda passou para R$ 5,43 às 12h19 (+8,69%).
Analistas explicam tensão no mercado após reeleição de Lula
Locução neural da Yumi IA em português

- O mercado financeiro amanheceu exaltado, nesta segunda-feira (26/10), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar disparou e chegou a valer R$ 5,60, enquanto a bolsa de valores do Brasil (B3) opera em forte queda, despencando 16,77% às 11h34.Analistas ouvidos pelo Metrópoles atribuem o movimento a uma frustração com a expectativa da vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República.Com 100% das seções eleitorais apuradas, Lula teve 64.255.891 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.Frustração e preocupação com contas públicasProfessora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Conselho Regional de Economia de São Paulo, a economista Carla Beni considera que o mercado havia ficado empolgado com o resultado de primeiro turno, que colocava Flávio à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).A professora lembra que houve uma “lua de mel muito rápida”, com recorde de alta na bolsa, com mais de 209 mil pontos, na segunda-feira (5/10) após o primeiro turno — também houve queda do dólar.“Isso foi se intensificando durante todo esse período e as apostas em cima das pesquisas estão muito no reflexo hoje do mercado financeiro, do circuit breaker, porque houve uma ruptura dessas pesquisas”, indica Beni.O mercado apostou que Flávio teria mais chances de ajustar as contas públicas, com o prometido “tesouraço” nos gastos do governo. No entanto, a expectativa de Carla Beni é que a tensão no mercado se acomode nos próximos dias, pois “durante todo o mandato do Lula a bolsa bateu recordes em cima de recordes”.“Então isso já era esperado de que ele tivesse que fazer esse ajuste e essa semana vai ser assim, uma relação meio esquizofrênica, onde você vai ter ajustes muito fortes no mercado financeiro e sempre lembrando que onde você observa essas grandes quedas dessas ações também são grandes oportunidades de negócios”, assinala.O presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), Carlos Eduardo Oliveira Jr. considera que os investidores não estão centrando as preocupações no potencial de crescimento da economia, “mas na capacidade do governo de equilibrar esse crescimento com a preservação das contas públicas”.“Por outro lado, acredito que essa frustração inicial pode ser temporária. A experiência demonstra que os agentes financeiros costumam ser pragmáticos e avaliam governos pelos resultados efetivamente entregues. Se a nova administração demonstrar compromisso com a responsabilidade fiscal, segurança jurídica e previsibilidade regulatória, a confiança tende a ser restabelecida”, avalia.Questão fiscal no centroEconomista e professor da FIA Business School, Marcos Piellusch analisa que o mercado está cobrando um prêmio maior pelo risco fiscal atribuído ao governo Lula para os próximos quatro anos.“Esse movimento foi muito intenso por conta da surpresa, da concentração de apostas e, de certa forma, da baixa liquidez na abertura. Esses componentes acabam formando uma combinação explosiva. Quando todo mundo tenta sair pela mesma porta ao mesmo tempo, todo mundo acaba tendo a mesma posição”, exemplifica.A questão fiscal a que Piellusch diz respeito é o compromisso do governo para o controle da dívida pública do país, que alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto deste ano. Durante o mandato, Lula seguiu o Arcabouço Fiscal, regra de controle de gastos que prevê fim de déficits e aumento progressivo de superávit primário — valor apurado sem considerar os juros da dívida pública.Flávio prometeu um “tesouraço” nos gastos, mas sem indicar em que áreas isto seria materializado. O mercado considera que a proposta da coordenação da campanha econômica de Lula não será suficiente para o controle da dívida.Piellusch contextualiza, em relação ao dólar, que o cenário pode vir a ter reflexo na definição da taxa básica de juros. O Comitê de política monetária nacional, que define a taxa, se reúne no próximo dia 3.“Do lado do dólar, essa alta reflete a saída de capital estrangeiro e a recomposição do prêmio de risco. Se esse nível persistir, né, se a gente continuar com o dólar nesse patamar, pode haver um efeito naturalmente sobre a inflação, sobretudo em alimentos, combustíveis e produtos importados. O que pode reduzir ainda mais o espaço do Banco Central para cortar juros. Mas, veja, esse dia de estresse não define necessariamente uma tendência”, ressalva.Tremor no mercadoA bolsa brasileira (B3) acionou o circuit breaker logo na abertura do pregão desta segunda. O mecanismo não era utilizado desde a decretação da pandemia da Covid-19, em março de 2020. O mercado foi retomado às 10h40 e às 10h46 mergulhava mais de 16% em torno dos 170 mil pontos.O dólar comercial abriu esta segunda operando em alta em relação ao fechamento da última sexta-feira (23/10). Às 9h, a moeda norte-americana abriu em forte alta, de 8,65%, e chegou a R$ 5,42, a maior valorização intradiária desde janeiro. Às 9h30, a moeda tinha alta de 12,52%, chegando aos R$ 5,60.Houve desaceleração na alta do dólar e a moeda passou para R$ 5,43 às 12h19 (+8,69%).
O mercado financeiro amanheceu exaltado, nesta segunda-feira (26/10), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar disparou e chegou a valer R$ 5,60, enquanto a bolsa de valores do Brasil (B3) opera em forte queda, despencando 16,77% às 11h34.Analistas ouvidos pelo Metrópoles atribuem o movimento a uma frustração com a expectativa da vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República.Com 100% das seções eleitorais apuradas, Lula teve 64.255.891 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.Frustração e preocupação com contas públicasProfessora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Conselho Regional de Economia de São Paulo, a economista Carla Beni considera que o mercado havia ficado empolgado com o resultado de primeiro turno, que colocava Flávio à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).A professora lembra que houve uma “lua de mel muito rápida”, com recorde de alta na bolsa, com mais de 209 mil pontos, na segunda-feira (5/10) após o primeiro turno — também houve queda do dólar.“Isso foi se intensificando durante todo esse período e as apostas em cima das pesquisas estão muito no reflexo hoje do mercado financeiro, do circuit breaker, porque houve uma ruptura dessas pesquisas”, indica Beni.O mercado apostou que Flávio teria mais chances de ajustar as contas públicas, com o prometido “tesouraço” nos gastos do governo. No entanto, a expectativa de Carla Beni é que a tensão no mercado se acomode nos próximos dias, pois “durante todo o mandato do Lula a bolsa bateu recordes em cima de recordes”.“Então isso já era esperado de que ele tivesse que fazer esse ajuste e essa semana vai ser assim, uma relação meio esquizofrênica, onde você vai ter ajustes muito fortes no mercado financeiro e sempre lembrando que onde você observa essas grandes quedas dessas ações também são grandes oportunidades de negócios”, assinala.O presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), Carlos Eduardo Oliveira Jr. considera que os investidores não estão centrando as preocupações no potencial de crescimento da economia, “mas na capacidade do governo de equilibrar esse crescimento com a preservação das contas públicas”.“Por outro lado, acredito que essa frustração inicial pode ser temporária. A experiência demonstra que os agentes financeiros costumam ser pragmáticos e avaliam governos pelos resultados efetivamente entregues. Se a nova administração demonstrar compromisso com a responsabilidade fiscal, segurança jurídica e previsibilidade regulatória, a confiança tende a ser restabelecida”, avalia.Questão fiscal no centroEconomista e professor da FIA Business School, Marcos Piellusch analisa que o mercado está cobrando um prêmio maior pelo risco fiscal atribuído ao governo Lula para os próximos quatro anos.“Esse movimento foi muito intenso por conta da surpresa, da concentração de apostas e, de certa forma, da baixa liquidez na abertura. Esses componentes acabam formando uma combinação explosiva. Quando todo mundo tenta sair pela mesma porta ao mesmo tempo, todo mundo acaba tendo a mesma posição”, exemplifica.A questão fiscal a que Piellusch diz respeito é o compromisso do governo para o controle da dívida pública do país, que alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto deste ano. Durante o mandato, Lula seguiu o Arcabouço Fiscal, regra de controle de gastos que prevê fim de déficits e aumento progressivo de superávit primário — valor apurado sem considerar os juros da dívida pública.Flávio prometeu um “tesouraço” nos gastos, mas sem indicar em que áreas isto seria materializado. O mercado considera que a proposta da coordenação da campanha econômica de Lula não será suficiente para o controle da dívida.Piellusch contextualiza, em relação ao dólar, que o cenário pode vir a ter reflexo na definição da taxa básica de juros. O Comitê de política monetária nacional, que define a taxa, se reúne no próximo dia 3.“Do lado do dólar, essa alta reflete a saída de capital estrangeiro e a recomposição do prêmio de risco. Se esse nível persistir, né, se a gente continuar com o dólar nesse patamar, pode haver um efeito naturalmente sobre a inflação, sobretudo em alimentos, combustíveis e produtos importados. O que pode reduzir ainda mais o espaço do Banco Central para cortar juros. Mas, veja, esse dia de estresse não define necessariamente uma tendência”, ressalva.Tremor no mercadoA bolsa brasileira (B3) acionou o circuit breaker logo na abertura do pregão desta segunda. O mecanismo não era utilizado desde a decretação da pandemia da Covid-19, em março de 2020. O mercado foi retomado às 10h40 e às 10h46 mergulhava mais de 16% em torno dos 170 mil pontos.O dólar comercial abriu esta segunda operando em alta em relação ao fechamento da última sexta-feira (23/10). Às 9h, a moeda norte-americana abriu em forte alta, de 8,65%, e chegou a R$ 5,42, a maior valorização intradiária desde janeiro. Às 9h30, a moeda tinha alta de 12,52%, chegando aos R$ 5,60.Houve desaceleração na alta do dólar e a moeda passou para R$ 5,43 às 12h19 (+8,69%).
Verificação Editorial Giro Mix News
Conteúdo apurado, sintetizado e verificado com a inteligência editorial Yumi IA.


