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Ciência

Águia-das-estepes em perigo: morte eletrocussão atinge 50% da população global

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Ontem às 23:13
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Águia-das-estepes em perigo: morte eletrocussão atinge 50% da população global
Fatos Rápidos da Notícia
  • Estima-se que 68 a 82% da população mundial da águia-das-estepes migre para o Cazaquistão para se reproduzir
  • Cerca de 50% da população global da águia-das-estepes foi dizimada em três gerações (40 a 50 anos), colocando a espécie em perigo de extinção desde 2015
  • O BRCC calcula que, para cada 10 quilômetros de linha de transmissão de média tensão (6 a 10 kV), nove aves de rapina morrem anualmente eletrocutadas no Cazaquistão
Resumo Editorial

Espécie emblemática do Cazaquistão em perigo crítico: eletrocussão em linhas de média tensão dizima 50% da população global nas últimas cinco décadas.

No coração da Ásia Central, o céu do Cazaquistão testemunha uma das maiores migrações de rapaces do planeta, um espetáculo natural que esconde uma tragédia silenciosa. A águia-das-estepes, ícone nacional e espécie migratória, enfrenta um declínio alarmante, com cerca de 50% de sua população global dizimada nas últimas cinco décadas, situação que a colocou em situação de perigo de extinção em 2015. A extensão da infraestrutura elétrica do país, que atravessa milhões de hectares de estepe, transforma-se em uma armadilha letal para milhares de aves anualmente.

Contexto Institucional e Histórico da Medida

A águia-das-estepes, com envergadura que pode alcançar até 2,6 metros, figura não apenas na bandeira nacional, mas também no antigo hino do Cazaquistão, simbolizando a identidade cultural do povo cazaque. Contudo, o habitat natural da espécie tornou-se um campo de extermínio. Segundo o Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade (BRCC), a rede elétrica do país, que se estende por mais de 200.000 quilômetros — número considerado significativamente maior que o oficial de 80.000 km — é responsável por uma mortalidade devastadora. Para cada 10 quilômetros de linha de transmissão de média tensão (6 a 10 kV), calcula-se a morte de nove aves de rapina anualmente por eletrocussão. O mecanismo é fatalmente simples: na ausência de árvores nas vastas pradarias, as águias pousam em postes e vigas de aço, onde o contato com fios desencapados providencia a morte instantânea. Dados de 2008 estimavam 29.000 mortes anuais, mas especialistas alertam que o número pode estar desatualizado diante da redução populacional, que hoje estima-se em 30.000 casais reprodutores em todo o mundo, conforme aponta a Royal Society for the Protection of Birds (RSPB).

Além da eletrocussão, a espécie enfrenta a crescente ameaça de incêndios nas estepes, agravados pelas mudanças climáticas, que destroem não apenas o habitat, mas também os ninhos terrestres da águia. A combinação de fatores — perda de habitat, envenenamento acidental e tráfico ilegal — cria um cenário de múltiplas vulnerabilidades. Jenny Weston, gerente do programa de recuperação de espécies da RSPB, descreveu o Cazaquistão como o 'reduto' da população reprodutora, mas alertou que o risco de aumento de incêndios devido ao clima torna o local 'cada vez mais perigoso' para a sobrevivência da ave. O relatório global de ação, apresentado na 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP-CMS), em março, identifica a redução de eletrocussões e colisões com infraestrutura energética como 'alta prioridade' para a conservação da espécie em toda a sua área de distribuição.

Ponto de Destaque

Estima-se que, para cada 10 km de linha de média tensão, nove águias-das-estepes morram eletrocutadas anualmente no Cazaquistão.

Repercussão Jurídica e Posicionamentos

Frente ao cenário de declínio acelerado, medidas concretas começam a ser implementadas para reverter o quadro. Em 2013, Vera Voronova, do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, conduziu um projeto-piloto na região de Karaganda, área que registrava alta mortalidade de águias e frequentes apagões na rede local. A intervenção consistiu na instalação de tubos isolantes de baixo custo ao redor dos fios energizados e na colocação de travessas ao longo das linhas de transmissão. A eficácia da medida foi comprovada pela redução de mortes e pela restauração da estabilidade no fornecimento de energia na vila. O Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade (BRCC) e a Associação para a Conservação da Biodiversidade do Cazaquistão (ACBK) têm atuado junto às concessionárias de energia para a ampliação desse modelo de mitigação, visando adaptar a rede elétrica antiga para padrões de segurança aviar.

As autoridades ambientais têm sinalizado a necessidade de uma reavaliação urgente do planejamento energético no país. Nurlan O ngarbayev, diretor executivo do BRCC, tem reiterado que o número oficial de 80.000 km de linhas de transmissão não reflete a realidade do território, defendendo investimentos em isolamento de condutores e marcação de linhas para evitar colisões. A convenção internacional e os relatórios técnicos apontam que a cooperação entre governos, setor privado e organizações de conservação é essencial para garantir que a infraestrutura moderna não se torne mais um fator de extinção para o ícone nacional cazaque. O próximo passo envolve a fiscalização mais rigorosa das linhas em operação e a inclusão de critérios de biodiversidade nos projetos de expansão da rede elétrica.

Atenção / Ponto Crítico
O Cazaquistão deve implementar isolamento de linhas de média tensão até 2026 para reduzir em 90% as mortes de águias-das-estepes, conforme plano de ação global.

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