O Banco Central do Paraguai iniciou um processo de resolução do Ueno Bank, uma das principais instituições digitais do país, após detectar uma grave insuficiência de capital. A medida provocou a renúncia do presidente do órgão regulador, Carlos Carvallo, na terça-feira (3/11), a pedido do presidente Santiago Peña. Carvallo afirmou que permanecerá no cargo durante o processo para garantir a continuidade dos trabalhos.
A saída ocorre em meio a questionamentos sobre a supervisão do banco e relações políticas envolvendo a instituição. Carvallo presidiu o Ueno antes de assumir o Banco Central em 2023, enquanto Peña foi sócio do grupo controlador até março de 2025. O Ministério Público paraguaio solicitou abertura de investigação criminal e determinou a prisão de dirigentes ligados ao banco, com apurações envolvendo gestão e empréstimos a empresas vinculadas ao grupo controlador.
O procedimento de resolução busca proteger depositantes e preservar a estabilidade financeira. Auditores foram designados para avaliar a situação patrimonial da instituição. Clientes encontraram agências fechadas e ficaram temporariamente impedidos de movimentar dinheiro pelo aplicativo. O Ueno Bank possui cerca de 3 milhões de clientes e administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo benefícios de aposentados.
O Banco Central informou que os depósitos estão cobertos por garantia de até 75 salários mínimos, equivalente a cerca de US$ 38 mil por cliente, o que deve proteger aproximadamente 97% dos depositantes. O governo anunciou que pretende acelerar pagamentos aos correntistas por meio de um projeto de lei, assegurando a devolução de recursos públicos e fundos de aposentadoria.



