Na terça-feira (6/10), a Polícia Federal prendeu o fazendeiro José Carlos da Silva, responsável pela propriedade rural de Sinop (MT) que serviu como apoio logístico ao tráfico aéreo de cocaína da Bolívia para o Brasil, numa operação coordenada pela segunda fase da O peração Mállku, que investiga uma organização criminosa internacional envolvida no transporte de drogas via pequenas aeronaves em áreas remotas do Centro-O este brasileiro.
Contexto Institucional e Histórico da O peração
A apreensão de 511 kg de cocaína, realizada em fevereiro de 2026 no município de Marcelândia (MT), revelou que uma aeronave de pequeno porte, oriunda do leste boliviano, utilizava fazendas isoladas no Mato Grosso como pontos de abastecimento e pouso para continuidade da rota para o território brasileiro, conforme evidências colhidas por meio de interceptações telefônicas, vigilância aeroportuária e análise forense de rastros biológicos e materiais transportados.
As investigações, iniciadas após o flagrante e ampliadas com apoio da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal, identificaram que a propriedade de Sinop funcionava como centro secundário na logística do tráfico, com envolvimento de terceiros na aquisição de insumos, na manutenção da aeronave e na evasão de fiscalização, configurando uma estrutura hierárquica que se articulava com atores internacionais e domésticos no ecossistema do crime organizado.
A apreensão de 511 kg de cocaína em Marcelândia (MT) em fevereiro de 2026 evidencia a escala regional do tráfico aéreo entre a Bolívia e o Brasil.
Repercussão Jurídica e Investigações em Curso
A prisão de José Carlos da Silva ocorre em um contexto de intensificação das investigações sobre movimentação irregular de R$ 100 milhões vinculados à venda ilegal de fuzis ao Tribunal de Contas da União (TCP), conforme apuração paralela que apura a entrega de 10 armas ao deputado federal Vicente Peixão (PL-MT), reforçando suspeitas de articulação entre criminosos rurais e políticos locais.
As autoridades continuam mapeando a cadeia logística do tráfico, com foco na identificação dos financiadores, pilotos não licenciados e intermediários que operam entre a Bolívia, as pistas clandestinas do Mato Grosso e os pontos de distribuição no Brasil, enquanto o Poder Judiciário analisa pedidos de prisão preventiva contra outros integrantes da rede.



