Na semana subsequente ao primeiro turno das eleições, o fluxo cambial brasileiro registrou a entrada de US$ 2 bilhões e 416 milhões de dólares, configurando o maior acréscimo de recursos para o período desde o início da série histórica do Banco Central, em 2008, em marcante contraste com as quatro eleições presidenciais anteriores, nas quais o país observou saída de dólares na semana pós-primeiro turno.
Contexto Institucional e Movimentação Cambial
A análise do Banco Central revelou que a entrada de recursos no mercado cambial ocorreu em momento de alta volatilidade política, impulsionada pela percepção de continuidade institucional após o resultado do primeiro turno, com a valorização do real frente ao dólar refletindo decisões estratégicas de importadores e investidores estrangeiros.
O movimento contrasta com o padrão observado nas eleições de 2010,2014, 2018 e 2022, quando a saída de dólares indicou aversão ao risco e expectativas de instabilidade fiscal, enquanto a StoneX destacou que a antecipação do segundo turno por parte dos mercados levou à concentração de posições em ativos brasileiros.
US$ 2 bilhões e 416 milhões representam o maior ingresso de recursos cambiais desde 2008, superando todos os ciclos eleitorais prévios
Repercussão de Mercado e Desdobramentos Fiscais
O especialista em câmbio da StoneX, Leonel O liveira Mattos, ressaltou que a reeleição de Lula não foi precificada pelos mercados, gerando surpresa que provocaria desvalorização do real e deterioração das bolsas de valores, além de indicar risco fiscal relevante para o biênio 2026-2027.
Com relação às medidas recentes do governo — como ampliação do teto do MEI, isenções fiscais e perdão de dívidas — Mattos alertou que a falta de clareza quanto à fonte de financiamento para essas iniciativas gera preocupação com o déficit público futuro, embora os investidores mantenham foco prioritário no resultado eleitoral.



