Em encontro histórico em Moscou, no dia 25 de setembro de 2023, o arcebispo Paul Gallagher, responsável pelas Relações com os Estados e as O rganizações Internacionais do Vaticano, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, marcando o primeiro contato presencial entre autoridades do Vaticano e da Rússia em cinco anos, em um contexto de prolongada guerra na Ucrânia que já causa milhares de vítimas e impede qualquer perspectiva real de reconciliação.
Contexto Histórico e Diplomatico do Encontro
A audiência, realizada em caráter oficial e sem presença de mídia independente, ocorreu após uma pausa de cinco anos nas relações diretas entre os dois países, marcadas pelo início da guerra na Ucrânia em fevereiro de 2022; segundo registros diplomáticos, o último encontro entre representantes do Vaticano e da Rússia ocorreu em maio de 2021, durante visita do cardeal Pietro Parolin ao Kremlin.
O arcebispo Gallagher, cuja nomeação ao cargo foi confirmada por São Francisco em 2022, destacou que a continuidade do conflito gera 'novas vítimas' e torna 'cada vez mais difícil' a reconciliação futura, reforçando a posição já expressa pelo papa Leão XIV em apelo público em agosto de 2023 contra o aumento do número de vítimas civis.
A guerra na Ucrânia já dura quatro anos e meio e tem causado novas vítimas diárias que inviabilizam qualquer perspectiva de reconciliação futura.
Repercussão Diplomática e Compromissos Humanitários
O ministro russo Lavrov saudou o encontro como sinal de 'diálogo construtivo' entre civilizações, enquanto o Vaticano reiterou seu papel como mediador moral no conflito, com o arcebispo ressaltando que 'continuará a oferecer forte apoio espiritual, diplomático e humanitário' para facilitar negociações.
Especialistas em relações internacionais apontam que a cooperação humanitária entre Vaticano e Rússia, especialmente no atendimento a crianças ucranianas deslocadas, pode servir como ponto de partida para iniciativas de cessar-fogo localizadas, embora ainda haja resistência política significativa por parte dos principais aliados ocidentais da Ucrânia.



