Após a retirada oficial das tropas norte-americanas do Iraque, realizada em 30 de setembro de 2024, a Resistência Islâmica do Iraque (IRI) reafirmou publicamente sua decisão de não desarmar, rompendo com o acordo firmado anteriormente entre Washington e Bagdá.
Contexto Histórico e Estrutura da Coalizão de Milícias
A coalizão da Resistência Islâmica do Iraque, composta por aproximadamente 50 a 70 mil soldados distribuídos em cerca de 60 milícias e grupos armados, foi formalmente instituída em 2023, no auge da escalada do conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, com o objetivo inicial de prestar apoio logístico e operacional aos palestinos.
A estrutura da IRI integra facções xiitas que já atuavam no território iraquiano contra a presença estrangeira, como o Kataib Hezbollah, Harakat Hezbollah al-Nujaba, Kataib Sayyid al-Shuhada e Ansar Allah al-Awfiya, muitas vezes sob o guarda-chuva das Forças de Mobilização Popular (PMF), criadas em 2014 para combater o Estado Islâmico.
A Resistência Islâmica do Iraque (IRI) afirmou que manterá suas armas como garantia de soberania nacional, mesmo após a completa retirada das forças norte-americanas do país.
Repercussão Política e Desafios para a Soberania Iraquiana
O governo iraquiano, apesar de ter assinado em 2024 um acordo com os Estados Unidos prevendo o desarmamento das facções ligadas ao Irã dentro das Forças de Mobilização Popular em troca da integração dos combatentes nas forças de segurança oficiais do Iraque, enfrenta forte resistência interna diante da proposta.
Autoridades americanas destacaram que a retirada militar se deu conforme cronograma acordado com Bagdá, enquanto o presidente do Iraque Mohammed Shia' Al Sudani reiterou compromisso com a pacificação, mas reconheceu dificuldades na coordenação do desarmamento diante da fragmentação das milícias.



