A crise política no Paraguai se intensificou rapidamente após a intervenção no banco digital Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos. A medida do Banco Central foi adotada por problemas de solvência, com o índice da instituição abaixo da metade do mínimo exigido.
Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou a acusação contra Santiago Peña por 78 votos favoráveis e nenhum contrário. Antes da votação, Peña anunciou sua renúncia, alegando buscar a estabilidade do país e a preservação das instituições democráticas, mas o Congresso rejeitou a saída voluntária para evitar que ele mantivesse o foro privilegiado.
Na sexta-feira (6), o Senado aprovou o impeachment por 44 votos favoráveis e uma abstenção. Pouco depois, o Ministério Público emitiu ordem de prisão contra Peña e o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, investigados por suspeitas de irregularidades relacionadas à crise financeira.
Peña foi detido na noite de sexta-feira e colocado em prisão domiciliar em sua residência em Assunção, sendo monitorado por agentes policiais sem uso de tornozeleira eletrônica. Ele deverá permanecer lá até que a Justiça decida sobre sua custódia durante o processo criminal.
O promotor Christian Benítez afirmou que as acusações ainda estão sendo definidas e que o Ministério Público analisará as provas antes de formalizá-las. Entre os possíveis crimes investigados estão abuso de confiança e tráfico de influência. Peña nega ter cometido irregularidades.
Pedro Alliana assumiu a presidência na noite de sexta-feira, cerca de uma hora após a aprovação do impeachment. O novo presidente determinou medidas imediatas para atender os clientes prejudicados pela crise do Ueno Bank e priorizar o ressarcimento dos poupadores em situação de maior vulnerabilidade.
