A síndrome de couvade, também chamada de gravidez compartilhada, ocorre quando o pai ou parceiro da gestante começa a apresentar sintomas semelhantes aos da gravidez, mesmo sem estar grávido. Segundo a psicóloga Cibele Pejan, esses sinais são reais e não devem ser tratados como invenção ou exagero, podendo incluir náusea, cansaço, mudanças no apetite e alterações de humor.
Entre as manifestações mais frequentes estão cansaço, irritabilidade, alterações no sono, ansiedade, enjoos, aumento ou perda de peso, dores no corpo e maior sensibilidade emocional. A especialista aponta que a condição pode ter origem tanto emocional quanto fisiológica, com hipóteses de mudanças hormonais associadas ao processo.
A ansiedade e o vínculo com a gestação são apontados como possíveis causas para a mobilização do corpo. Quanto maior o envolvimento emocional com a gravidez, maior pode ser essa reação, que pode aparecer como carinho e empatia ou como preocupação, medo e ansiedade diante das mudanças que estão por vir.
Embora seja um tema conhecido na área médica, a síndrome ainda é pouco estudada em profundidade. Não há embasamento teórico e clínico suficiente para entender a periodicidade dos sintomas, embora saiba-se que não é algo tão raro quanto parece.
Cibele alerta que sintomas leves e passageiros geralmente fazem parte de um momento de adaptação. No entanto, quando começam a atrapalhar o sono, o trabalho, a relação do casal ou causam sofrimento intenso, é importante olhar com mais cuidado, pois a intensidade e o impacto na vida são os principais sinais de atenção.
Muitos homens não se sentem confortáveis para falar sobre medos e inseguranças relacionados à paternidade, fazendo com que o corpo reaja. A psicóloga ressalta que o primeiro passo para acolher esses sintomas é não ridicularizar o lado masculino.
Incluir o parceiro no processo da gestação pode abrir espaço para conversas sobre medos, expectativas e sentimentos, além de incentivar cuidados com rotina, sono e saúde emocional. Caso os sintomas se intensifiquem e persistam, é necessário buscar ajuda profissional com psicólogo ou médico.


