O consumo nos lares brasileiros recuou 1,46% em setembro na comparação com agosto, segundo a Abras (Associação Brasileira de Supermercados). Apesar da queda mensal, o indicador ainda mostrou alta de 0,59% ante setembro do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, o avanço é de 2,70%.
O vice-presidente da Abras, Márcio Milan, afirmou que "a retração de setembro não é um movimento isolado deste ano, embora tenha sido mais intensa do que a observada nos dois anos anteriores". Segundo ele, o resultado representa um movimento de acomodação depois das altas de 3,01% em julho e de 2,21% em agosto.
O mercado de trabalho e a renda continuam dando sustentação ao consumo das famílias. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica. Houve ainda reforço de recursos em circulação na economia ao longo de setembro.
Entre os recursos estão R$ 13,04 bilhões em transferências do Bolsa Família para 19,3 milhões de famílias, R$ 3,22 bilhões liberados pelo Conselho da Justiça Federal em requisições de pequeno valor e ações judiciais, além de R$ 1,24 bilhão referente ao último lote regular de restituição do Imposto de Renda.
Por outro lado, a retomada da inflação de alimentos voltou a pressionar o orçamento das famílias. O IPCA subiu 0,82% em setembro, após queda de 0,32% em agosto. No grupo alimentação e bebidas, a alta foi de 0,83%, depois de três meses consecutivos de recuo.
A cesta Abrasmercado, composta por 35 produtos de largo consumo, subiu 1,08% em setembro ante agosto, interrompendo três meses consecutivos de queda. Com isso, o valor médio nacional passou de R$ 837,14 para R$ 846,22. No acumulado do ano, a alta é de 5,73%.
Entre os destaques de alta no mês estiveram o arroz, com avanço de 4,56%, o óleo de soja, com 1,83%, e o açúcar refinado, com 1,11%. Em sentido contrário, o feijão caiu 4,02% e o café torrado e moído recuou 1,09%, ambos pela terceira queda mensal consecutiva.
Já a cesta de 12 produtos básicos apresentou relativa estabilidade em setembro, com leve alta de 0,12% ante agosto. O valor médio nacional passou de R$ 356,76 para R$ 357,20. No acumulado de janeiro a setembro, a cesta registra avanço de 4,94%.



