Em uma decisão que reverbera nas estruturas de gestão cultural e religiosa de Belo Horizonte, a Empresa Municipal de Turismo (Belotur) aprovou, em 17 de agosto, o deslocamento dos desfiles de passarela do Carnaval para a sexta-feira de Quaresma de 2027, apesar da oposição acirrada dos blocos tradicionais, com o Leão da Lagoinha, fundado em 1947 e considerado o primeiro da capital, ameaçando boicotar o evento por respeito à tradição católica.
Contexto Histórico e Conflito Institucional na Revisão do Calendário Carnavalesco
A alteração do cronograma, aprovada em reunião de votação na sede da Belotur com 13 votos a 9, transfere os desfiles, anteriormente programados para a segunda e terça-feira de Carnaval, para o período entre 12 e 14 de fevereiro de 2027 — data que coincide com o início da Quaresma, quando a tradição religiosa impõe jejum e abstinência aos fiéis católicos e uma parcela significativa dos integrantes dos blocos caricatos.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) já recebeu representação formal dos blocos contrários à mudança, que denúnciam falta de transparência na convocação da reunião e exclusão de representantes de escolas de samba e blocos que não concordavam com a proposta, reforçando questionamentos sobre o caráter democrático e inclusivo do processo decisório dentro da administração municipal.
Em 2027, o desfile do Leão da Lagoinha — bloco fundado em 1947 e considerado o primeiro de Belo Horizonte — corre risco de suspensão caso a programação seja mantida na sexta-feira de Quaresma, data em que seus componentes, 85% católicos e 15% da Umbanda, vedam a 'Festa da Carne' por tradição religiosa.
Repercussão Legal e Desafios para a Coesão do Carnaval
O MPMG analisa a denúncia formal apresentada pelos blocos minoritários como indício de violação ao princípio da ampla concorrência e ao direito constitucional de associação cultural, enquanto a Prefeitura Municipal mantém posição técnica favorável à mudança, argumentando que a nova grade horária otimiza a logística urbana e amplia a atratividade turística pós-Carnaval.
Diante do impasse, o Leão da Lagoinha reiterou sua decisão unilateral: se o desfile for mantido na sexta-feira de Quaresma, o bloco não participará do evento, sob pena à sua própria identidade religiosa e à coerência histórica com as práticas devocionais que o definem desde sua fundação em plena pós-guerra.
O Leão da Lagoinha não participará dos desfiles de 2027 caso a programação seja mantida na sexta-feira de Quaresma, data em que os componentes tradicionais vedam a 'Festa da Carne' por tradição religiosa católica.



