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Bloco do Leão ameaça boicotar desfile pós-Carnaval em Quaresma

PorLarissa RicciVerificadoOrtografia IAPublicado Hoje às 07:39
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Bloco do Leão ameaça boicotar desfile pós-Carnaval em Quaresma
Fatos Rápidos da Notícia
  • O Leão da Lagoinha, bloco fundado em 1947 e considerado o primeiro de Belo Horizonte, ameaça boicotar os desfiles de passarela em 2027 se o evento for mantido na sexta-feira de Quaresma
  • A alteração do calendário foi aprovada em reunião da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) em 17 de agosto, com 13 votos a 9
  • Representantes de blocos contrários ao novo calendário levaram o caso ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), alegando falta de transparência e exclusão de participantes da reunião que definiu o novo cronograma
Resumo Editorial

A decisão da Belotur de realocar o Carnaval para a Quaresma de 2027 ameaça a coesão dos blocos tradicionais, especialmente o Leão da Lagoinha, por conflitos entre tradição religiosa e programação festiva.

Em uma decisão que reverbera nas estruturas de gestão cultural e religiosa de Belo Horizonte, a Empresa Municipal de Turismo (Belotur) aprovou, em 17 de agosto, o deslocamento dos desfiles de passarela do Carnaval para a sexta-feira de Quaresma de 2027, apesar da oposição acirrada dos blocos tradicionais, com o Leão da Lagoinha, fundado em 1947 e considerado o primeiro da capital, ameaçando boicotar o evento por respeito à tradição católica.

Contexto Histórico e Conflito Institucional na Revisão do Calendário Carnavalesco

A alteração do cronograma, aprovada em reunião de votação na sede da Belotur com 13 votos a 9, transfere os desfiles, anteriormente programados para a segunda e terça-feira de Carnaval, para o período entre 12 e 14 de fevereiro de 2027 — data que coincide com o início da Quaresma, quando a tradição religiosa impõe jejum e abstinência aos fiéis católicos e uma parcela significativa dos integrantes dos blocos caricatos.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) já recebeu representação formal dos blocos contrários à mudança, que denúnciam falta de transparência na convocação da reunião e exclusão de representantes de escolas de samba e blocos que não concordavam com a proposta, reforçando questionamentos sobre o caráter democrático e inclusivo do processo decisório dentro da administração municipal.

Em 2027, o desfile do Leão da Lagoinha — bloco fundado em 1947 e considerado o primeiro de Belo Horizonte — corre risco de suspensão caso a programação seja mantida na sexta-feira de Quaresma, data em que seus componentes, 85% católicos e 15% da Umbanda, vedam a 'Festa da Carne' por tradição religiosa.

Repercussão Legal e Desafios para a Coesão do Carnaval

O MPMG analisa a denúncia formal apresentada pelos blocos minoritários como indício de violação ao princípio da ampla concorrência e ao direito constitucional de associação cultural, enquanto a Prefeitura Municipal mantém posição técnica favorável à mudança, argumentando que a nova grade horária otimiza a logística urbana e amplia a atratividade turística pós-Carnaval.

Diante do impasse, o Leão da Lagoinha reiterou sua decisão unilateral: se o desfile for mantido na sexta-feira de Quaresma, o bloco não participará do evento, sob pena à sua própria identidade religiosa e à coerência histórica com as práticas devocionais que o definem desde sua fundação em plena pós-guerra.

O Leão da Lagoinha não participará dos desfiles de 2027 caso a programação seja mantida na sexta-feira de Quaresma, data em que os componentes tradicionais vedam a 'Festa da Carne' por tradição religiosa católica.

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