No dia 19 de setembro de 2024, o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea ressaltou, sob o olhar da comunidade médica e das autoridades sanitárias, a urgência de ampliar o cadastro de voluntários no Brasil, particularmente no Pará, onde o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) contabiliza quase 140 mil doadores — número que representa quase um quarto do total regional e destaca a relevância do estado para os esforços nacionais de reduzir o tempo de espera por transplantes. O evento, instituído em 2014 pela Associação Mundial de Doadores de Medula Óssea (WMDA), ocorre em um contexto em que 2.679 pacientes aguardam na fila nacional para transplante, um indicador que evidencia a discrepância entre oferta e demanda no sistema hematopoético.
Contexto Institucional e Cenário Nacional do Cadastro
A data foi marcada pelo reforço da necessidade de novos voluntários, com ênfase na faixa etária entre 18 e 35 anos, requisito para inscrição no REDOME, conforme orientações da Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea (SBTMO). No Pará, onde o cadastro ultrapassa 140 mil registros — o maior entre os estados da Região Norte — a participação ativa é essencial para garantir maior diversidade genética e, consequentemente, maior probabilidade de compatibilidade com pacientes em todo o território nacional. A WMDA, que congrega mais de 39 milhões de doadores em 55 países, posiciona-se como articuladora global dessa iniciativa, coordenando esforços para otimizar processos de busca e compatibilidade em âmbito internacional.
Além do Pará, a Região Norte somou cerca de 437 mil doadores ao REDEME, reforçando o papel estratégico da Amazônia no cenário nacional. Com mais de 6 milhões de voluntários em todo o Brasil, o país detém o terceiro maior registro mundial de doadores voluntários de medula óssea, atrás apenas da Alemanha e dos Estados Unidos. No entanto, segundo dados da SBTMO divulgados em julho de 2025, a fila nacional de transplante somava 2.679 pacientes, evidenciando que mesmo com amplo cadastro, a procura por compatibilidade continua sendo um desafio crítico para os profissionais da hematologia.
Mais de 6 milhões de brasileiros estão cadastrados no REDEME, enquanto 2.679 pacientes aguardam na fila nacional por transplante.
Repercussão Jurídica e Estratégias para Ampliação do Cadastro
As declarações do hematologista Marcos Laercio, do Centro de Tratamento O ncológico (CTO), destacam que a compatibilidade depende exclusivamente de características genéticas específicas, sendo a busca por doadores na rede nacional ou internacional uma necessidade crescente diante da escassez de correspondências familiares. Ele ressalta que a coleta pode ocorrer por meio da medula óssea ou das células-tronco periféricas sanguíneas, procedimento este último semelhante à doação convencional.
Diante da urgência demonstrada pelos números da SBTMO e pela extensão geográfica do Pará — estado com quase 140 mil registros — as autoridades sanitárias têm priorizado campanhas educativas em parceria com instituições como o Hemopa e unidades hospitalares regionais. O objetivo é incentivar a adesão ao cadastro até os 60 anos após a inscrição inicial e qualificar o processo logístico para encaminhar potenciais doadores aos centros transplantes.



