O Ministério Público da Bahia abriu procedimento para apurar suspeita de xenofobia contra o atacante Willian José, do Bahia. O caso está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa e não tem prazo para conclusão. A investigação busca verificar se a conduta do atleta se enquadra no crime de xenofobia e se ele será indiciado.
A apuração teve início após o jogador compartilhar nas redes sociais uma publicação que chamava o Nordeste de câncer do país, em referência à disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Por causa da repercussão, Willian José foi afastado do jogo desta quarta-feira contra o São Paulo, na Fonte Nova, e parte da torcida pediu a rescisão de seu contrato, que termina em dezembro deste ano.
Depois do afastamento, o atacante voltou a repostar conteúdos críticos ao resultado das eleições, com teor de boicote ao Nordeste e a eleitores do presidente Lula. Em uma das publicações compartilhadas, o gastroenterologista Doutor Morato Luiz Costa afirma que não pretende ajudar eleitores do vencedor da eleição.
Natural de Alagoas, Willian José se manifestou nas redes sociais na última segunda-feira e afirmou que a publicação tinha como objetivo questionar a atuação dos políticos e defender melhorias nas condições de vida da população. Ele escreveu que é nordestino, mora no Nordeste e que sua família é nordestina, destacando que sabe o que o povo passa e o quanto luta. Na mesma postagem, disse que sua intenção era chamar atenção para temas como educação, saúde, segurança e qualidade de vida, além de defender que os eleitores avaliem melhor suas escolhas nas urnas.
O Bahia publicou nota oficial na terça-feira afirmando que não compactua com manifestações de ódio, xenofobia ou preconceito. O clube reforçou seu compromisso com a defesa do Nordeste, de sua população e de sua cultura, informou que o assunto foi tratado internamente e destacou que o conteúdo compartilhado pelo jogador não representa os valores da instituição. O Bahia também reafirmou seu caráter apartidário e declarou que o respeito à diversidade, à dignidade e à identidade nordestina são princípios inegociáveis.



