O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo, encerra agosto com volume útil acima de 30% e permanece na faixa de alerta em setembro, diante de restrição à retirada de água autorizada pela ANA e de déficit acumulado de cerca de 30 bilhões de litros neste mês.
Contexto Institucional e O peracional da Crise Hídrica
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) autorizou a Sabesp a retirar até 27 m³/s do Cantareira, medida que se insere em um cenário de déficit hídrico agravado pela combinação de baixa vazão natural das usinas, como a Hidrelétrica Jaguari, e pela incapacidade dos temporais de curto prazo para encharcar o solo ressecado, reduzindo a eficiência da infiltração e da recarga dos reservatórios.
O volume perdido em agosto – estimado em 30 bilhões de litros – representa 17 bilhões a menos em relação ao mesmo período de 2025, fato que evidencia a severidade da estiagem e justifica a manutenção do nível do Cantareira na faixa de alerta, com a necessidade de conservação medida por restrições operacionais previstas no plano de contingência da Sabesp.
O Sistema Cantareira perdeu cerca de 30 bilhões de litros em agosto, equivalente a 56% do volume útil total do reservatório.
Repercussão Técnica e Estratégias de Mitigação
A Sabesp informou que depende exclusivamente da vazão natural das usinas integrantes do sistema para recuperar o nível do Cantareira, adotando monitoramento contínuo e ajustes operacionais para evitar o esgotamento do volume útil, enquanto o super El Niño previsto para os próximos meses ameaça elevar as temperaturas regionais e intensificar o consumo hídrico.
Diante desse cenário, especialistas apontam que a recuperação efetiva só deve ocorrer a partir de outubro, com o início do ano hidrológico, demandando não apenas chuvas acima da média, mas também políticas de gestão sustentável e redução temporária do consumo nas áreas metropolitanas.



