Inaugurada em 1926 na Serra do Mar, a Usina Henry Borden, reconhecida por décadas como a maior e mais moderna hidrelétrica do Hemisfério Sul, mantém-se como pilar estratégico do Sistema Interligado Nacional ao suprir a carga total de São Paulo em apenas 15 minutos, consolidando sua relevância técnica e histórica no cenário energético brasileiro.
Contexto Histórico e Engenharia Estrutural da Usina Henry Borden
A estrutura, composta por uma usina subterrânea e uma externa, foi erguida entre os anos de 1920 e 1930 com a participação de aproximadamente seis mil trabalhadores, aproveitando o desnível de quase 1 km da Serra do Mar para captar energia que alimenta o Brasil inteiro; seu projeto inovador integrou o funicular — sistema de transporte inclinado com até 45° de inclinação — para otimizar a logística no terreno acidentado, além de ter sido alvo de bombardeio durante a Revolução Constitucionalista de 1932, quando uma bomba caiu sobre as turbinas sem explodir, fato que gerou lendas sobre a resistência da obra.
Ao longo do século, a Henry Borden passou por adaptações técnicas e expansões, incluindo a construção da Represa Billings e a retificação do Rio Pinheiros para garantir o escoamento de água até o sopé da serra, medidas que, embora essenciais para o funcionamento da usina, provocaram impactos ambientais significativos nas várzeas e na geografia urbana ao redor.
A Usina Henry Borden consegue atender à carga total do Sistema Interligado Nacional em apenas 15 minutos, garantindo estabilidade energética nacional em momentos críticos.
Repercussão Institucional e Perspectivas Futuras
Segundo Rafael Strauch, diretor-presidente da Emae, responsável pela operação da usina, ela continua desempenhando um papel estratégico ao combinar história, relevância operacional e capacidade de resposta às demandas do setor elétrico nacional, sendo fundamental para a segurança hídrica e energética de São Paulo e do país.
Com o envelhecimento de infraestruturas centenárias, especialistas apontam a necessidade urgente de investimentos em modernização e manutenção preventiva para preservar a capacidade operacional da Henry Borden, especialmente em um cenário de crescente demanda energética e maior penetração das fontes renováveis intermitentes.



