No dia 2 de setembro, o Banco Central divulgou ao Comitê de Estabilidade Financeira sua preparação de medidas destinadas a mitigar os riscos decorrentes da elevada participação de crédito caro na dívida das famílias, diante do índice de endividamento familiar que permanece em patamar histórico de 49,8% segundo a ata do Comitê.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A autoridade monetária destacou, por meio da ata do Comitê de Estabilidade Financeira, que o endividamento das famílias se mantém estável em 49,8%, valor que, embora consistente desde junho, revela aumento significativo em relação ao período anterior e sinaliza vulnerabilidade estrutural ao consumo das famílias. O programa Novo Desenrola Brasil, lançado em 4 de maio pelo governo federal, busca oferecer renegociação de dívidas com juros reduzidos, mas a persistência do crédito rotativo — cujo custo médio anual atinge 436,2%, apesar da queda de 6,2 pontos percentuais em julho — evidencia a necessidade de políticas complementares para fortalecer a sustentabilidade do crédito familiar.
Antecedentes indicam que o comprometimento de renda atingiu o máximo da série histórica, com impactos observados na queda de 0,4% no consumo das famílias no último trimestre, reflexo direto na desaceleração do PIB do segundo trimestre. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já havia sinalizado em março a atenção da autoridade à questão do crédito saudável, reforçando a necessidade de normas mais robustas e arranjos que promovam condições mais equilibradas para os tomadores.
O índice de endividamento familiar permanece estável em 49,8%, mas o custo médio anual do crédito rotativo atinge 436,2% ao ano.
Repercussão Jurídica e Econômica das Medidas
O Banco Central informou que as medidas previstas visam reconhecer tempestivamente os riscos, promover o acúmulo gradual de capital e garantir condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores, alinhando-se à necessidade de preservar a resiliência do sistema financeiro diante do elevado endividamento.
A expectativa é que as novas diretrizes reduzam a concentração de crédito caro e contribuam para a recuperação do consumo das famílias, cujo recuo parcial tem efeito dominó sobre o setor de serviços — principal motor da economia — prejudicando projeções de crescimento e exigindo ações coordenadas entre política monetária e programas sociais como o Desenrola Brasil.



