A Unapec (União Nacional da Pecuária de Corte) quer ampliar a participação dos produtores rurais nas discussões sobre o futuro da pecuária brasileira. Criada por articulação entre entidades estaduais, a associação pretende defender interesses comuns do setor e colocar em pauta temas como reforma tributária, rastreabilidade, sanidade animal e barreiras comerciais internacionais.
Segundo Guilherme Bumlai, presidente da Acrissul e da Unapec, a entidade já reúne representantes de oito estados brasileiros que, juntos, concentram aproximadamente 65% do rebanho nacional e mais de 83% da carne exportada pelo país. A proposta é construir uma representação nacional capaz de levar a posição dos pecuaristas às discussões sobre políticas públicas, mercado e exigências internacionais.
Bumlai citou como exemplo a reação do mercado ao anúncio das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. No mesmo dia em que a medida foi anunciada, a arroba do boi gordo recuou entre R$ 25 e R$ 30. O dirigente avaliou que parte dos frigoríficos aproveitou o cenário para pressionar os preços, mesmo diante da expectativa de que os efeitos sobre o mercado seriam passageiros.
Entre as prioridades da associação está a discussão dos efeitos da reforma tributária sobre a produção rural. Bumlai demonstrou preocupação com a incidência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para produtores com faturamento anual superior a R$ 3,6 milhões, com alíquota estimada mencionada nas discussões de aproximadamente 4,53%. Ele afirma que muitos pecuaristas ainda não têm clareza sobre as mudanças e os impactos que podem ocorrer a partir de 1º de janeiro.
A Unapec pretende aprofundar os estudos sobre a cobrança e buscar alternativas para evitar que o aumento da carga tributária recaia diretamente sobre o produtor rural. Uma das possibilidades citadas por Bumlai é discutir mecanismos de diferimento do recolhimento da CBS ao longo da cadeia produtiva.
Outro tema que a associação pretende colocar em debate é a rastreabilidade individual dos animais. Embora reconheça a importância das exigências relacionadas à identificação e ao acompanhamento dos rebanhos, Bumlai defende que a implementação seja discutida com o setor produtivo.
A entidade questiona a obrigatoriedade prevista para 2032 e quer aprofundar o debate sobre os prazos, os custos e os efeitos da medida para os pecuaristas. A preocupação está relacionada também ao crescimento das exportações brasileiras de carne bovina.
Na avaliação do dirigente, a posição do Brasil como maior exportador mundial amplia a exposição do país a exigências de mercados compradores, que podem utilizar argumentos sanitários e ambientais como barreiras comerciais. Nesse cenário, a Unapec pretende atuar na defesa da pecuária brasileira.



