O coordenador técnico do IICA, Heithel Silva, alertou em 4 de setembro, em São Paulo, que a América Latina permanece inadequada para enfrentar o El Niño, diante de projeções climáticas que indicam chuvas 30% a 40% abaixo do normal na Amazônia e no Pantanal, com perdas de R$ 8,5 bilhões no setor agropecuário do Rio Grande do Sul em 2024, evidenciando a urgência de estratégias integradas de adaptação à nova realidade climática.
Diagnóstico Climático e Desafios da Agricultura Latino-Americana
A análise da O rganização Meteorológica Mundial (O MM), em seu relatório de 2024, revela que as anomalias climáticas associadas ao El Niño intensificarão nos próximos anos, comprometendo padrões de precipitação críticos para a produção agrícola na região. A ausência de sistemas adaptativos consolidados expõe a vulnerabilidade das economias rurais latino-americanas, especialmente entre pequenos produtores, que dependem diretamente da sazonalidade das chuvas para a viabilidade das lavouras e pastagens.
No contexto da reunião do Procisur com o IICA, especialistas apontam que a necessidade de uma governança climática mais ágil e coordenada se alia à escassez de recursos técnicos para pequenas propriedades. A ausência de políticas permanentes de assistência técnica, aliada à dependência de monoculturas, acentua os riscos diante da volatilidade climática prevista para o biênio 2025-2026.
As perdas estimadas em R$ 8,5 bilhões no setor agropecuário do Rio Grande do Sul revelam a extensão crítica dos impactos climáticos na segurança alimentar regional.
Cooperação Regional como Estratégia para a Adaptação Produtiva
A articulação entre instituições como o IICA e o Procisur – que reúne pesquisadores da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai – representa um marco para a construção de corredores agroecológicos com foco em diversificação de culturas e conservação de solo e água, práticas já testadas com sucesso em Sergipe, Bolívia e Uruguai.
Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente (2010-2016), reforça que a proteção ambiental da Amazônia e o fortalecimento do diálogo climático com países vizinhos são essenciais para reduzir a vulnerabilidade sistêmica, propondo um 'pragmatismo verde' baseado em governança compartilhada e integração setorial.



