Em novo capítulo da operação que investiga lavagem de dinheiro e corrupção no ecossistema financeiro brasileiro, o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do grupo Master, sinalizou aos interlocutores que optará por não incluir o ministro do STF Alexandre de Moraes em sua proposta de colaboração premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, apesar de ter mantido vínculos pessoais e comerciais com o magistrado e com sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com quem firmou contrato de R$ 129 milhões.
Contexto Institucional e Estratégia de Delação
A apuração conduzida pela Polícia Federal, com apoio técnico da PGR, revelou que as mensagens obtidas no inquérito indicam que Vorcaro consultava o ministro Alexandre de Moraes sobre questões operacionais do banco Master, incluindo a atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em momentos críticos de negociação com autoridades.
O contexto histórico demonstra que a terceira tentativa de delação premiada de Vorcaro se insere em um cenário de intenso desgaste institucional, no qual o banqueiro busca reduzir a pressão penal ao negociar benefícios processuais em troca de informações relevantes sobre práticas ilícitas envolvendo o ecossistema financeiro nacional.
A proposta de colaboração premiada envolve R$ 129 milhões em ativos vinculados à esposa do ministro do STF, Viviane Barci de Moraes.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Iminentes
As declarações oficiais ainda não foram formalmente comunicadas ao juiz Marcelo Bretas, responsável pela ação no Tribunal de Justiça de São Paulo, nem ao Ministério Público Federal, que aguarda posicionamento sobre a admissibilidade da delação que exclui um magistrado supremo do STF.
Especialistas em direito processual criminal apontam que a omissão de Moraes da delação poderá gerar questionamento sobre boa-fé processual e configurar obstáculo à eficácia da cooperação premiada prevista no artigo 5º da Lei nº 12.850/2013.



