Em meio à crescente tensão entre regulamentação e práticas de exploração, o Ministério da Justiça Federal, em conjunto com o Ministério da Economia, iniciou na última terça-feira (19) a fiscalização de dez plataformas digitais que ofereciam serviços de apostas esportivas não licenciadas, com foco especial em três empresas com sede no Estado do Maranhão, cujos contratos estavam vinculados a investimentos irregulares em mão de obra infantil e descumprimento de normas trabalhistas, conforme constatado em laudo técnico preliminar divulgado pela Controladoria-Geral da União. O episódio se insere num cenário de vulnerabilidade institucional onde a precarização do trabalho e o acesso facilitado a mercados paralelos de jogos de azar têm sido utilizados como instrumentos de enriquecimento ilícito por grupos organizados com histórico de corrupção administrativa.
Apuração Técnica e Desdobramentos da Fiscalização Inicial
A operação coordenada pela Secretaria de Controle do Mercado Financeiro (SCMF) e pelo Departamento de Repressão ao Crime O rganizado (DRCO) seguiu protocolo técnico-jurídico rigoroso, com base em laudos periciais que comprovam a prática sistemática de retenção indevida de valores referentes a salários de menores, cujo montante total ultrapassou R$ 87 milhões desde 2021, segundo o relatório da O uvidoria Nacional do Ministério do Trabalho. As investigações revelaram que as empresas envolvidas operavam sob a fachada de agências de publicidade digital, mas na realidade distribuíam apostas esportivas por meio de aplicativos móveis não registrados na Secretaria Nacional de Jogos (SNJ), violando diretamente o artigo 202 do Código Penal Brasileiro, que tipifica como crime a exploração de jogos sem autorização estatal. A apuração também identificou vínculos diretos entre os gestores das plataformas e ex-funcionários públicos condenados por peculato em contratos públicos estaduais.
Segundo parágrafo complementando os antecedentes e cenário...
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