A volatilidade entre o primeiro e o segundo turno das eleições foi o principal fator que impediu os institutos de pesquisa de registrarem com precisão as intenções de voto dos eleitores. A avaliação é de Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil.
Roman recorreu a uma analogia para explicar as limitações das pesquisas eleitorais. "A gente poderia fazer uma analogia, talvez, entre as pesquisas e um raio-x. Às vezes, existe uma doença um pouco mais complicada e difícil de detectar", afirmou.
Para ele, o ciclo eleitoral em questão foi marcado por duas ondas de mobilização que se moveram em direções opostas, tornando o cenário especialmente desafiador para os institutos.
Pêndulo entre os turnos surpreendeu os institutos
Segundo Roman, a desmobilização da base de esquerda no primeiro turno não foi antecipada corretamente pelas pesquisas, o que gerou incerteza sobre o tamanho real do comparecimento no segundo turno.
"Se o padrão do segundo turno da eleição fosse coerente com o padrão do primeiro turno, talvez nossa dificuldade teria sido muito menor, mas o que aconteceu no segundo turno foi basicamente uma completa reversão do primeiro", explicou. Essa inversão, impulsionada por grandes movimentos de mobilização nas ruas e nas redes sociais, pegou os institutos de surpresa.
Roman também destacou que a pesquisa eleitoral vai além de um simples levantamento de opinião. "A pesquisa eleitoral não é apenas uma pesquisa de opinião de um conjunto estático de pessoas", disse.
Ele apontou que o fenômeno do comparecimento envolve aspectos de psicologia social, nos quais eleitores podem declarar a intenção de votar e não comparecer às urnas — ou o contrário. "Muitas vezes as pessoas declaram que vão votar e não vão, e às vezes o oposto também pode acontecer", acrescentou.
Erros não foram tão significativos, avalia Roman
Apesar das imprecisões, Roman defendeu que os erros das pesquisas não foram tão expressivos quanto pareceram à primeira vista. "As pesquisas não tiveram erros tão significativos quanto poderia parecer, principalmente em relação a ciclos anteriores", afirmou.
Ele ponderou que a percepção de falha foi amplificada pelo contexto de uma eleição acirrada, em que as margens entre os candidatos eram muito apertadas desde o início até o final do ciclo.
"Se a gente observar com mais atenção as margens, elas eram muito apertadas desde o início do ciclo até o final", concluiu Roman, reforçando que o chamado "pêndulo da mobilização" é um fenômeno de difícil mensuração apenas por meio de perguntas diretas aos eleitores.



