A Defesa Civil da Síria informou que equipes de emergência atenderam, na noite de segunda-feira (26), quatro locais atingidos por ataques aéreos jordanianos nas áreas rurais das províncias de Daraa e Sweida.
Sete pessoas, incluindo três crianças e uma mulher, morreram, e outras três ficaram feridas nos ataques jordanianos, acrescentou o órgão em seu relatório preliminar.
A Jordânia afirmou que sua Força Aérea atacou o que descreveu como esconderijos de militantes no sul da Síria, após concluir que os suspeitos responsáveis pelo ataque mortal a uma igreja no reino na semana passada tinham ligações com “grupos terroristas” que atuam no país vizinho.
As Forças Armadas jordanianas disseram que a operação foi realizada em coordenação com Damasco. O governo sírio apresentou uma versão contraditória, afirmando ter aberto uma investigação sobre os ataques jordanianos e ressaltando, em comunicado, a importância da coordenação operacional e de segurança nas áreas de fronteira.
Damasco informou à Jordânia sua “total objeção” aos ataques realizados sem coordenação prévia, afirmou o Ministério das Relações Exteriores sírio em comunicado.
Ataques a “esconderijos de militantes” na Síria
A Jordânia afirmou nesta segunda-feira que sua Força Aérea atacou o que descreveu como esconderijos de militantes no sul da Síria, após concluir que os suspeitos responsáveis pelo ataque a uma igreja no reino na semana passada tinham ligações com “grupos terroristas” que atuam no país vizinho.
Pouco depois dos ataques, a Síria fechou nesta terça-feira (27) a passagem de fronteira de Nassib, na divisa com a Jordânia, suspendendo o tráfego de passageiros e de mercadorias nos dois sentidos. A medida foi adotada em razão dos acontecimentos na província de Daraa, informou a Autoridade Geral Síria para Passagens de Fronteira e Alfândegas em comunicado.
Nassib é a única passagem de fronteira entre a Jordânia e a Síria destinada ao transporte de passageiros e de mercadorias.
Mais cedo nesta segunda-feira, autoridades de alto escalão da área de segurança do governo disseram que as forças de segurança jordanianas prenderam dois irmãos e o cunhado deles após uma troca de tiros. A operação ocorreu no âmbito das investigações sobre a violência na igreja, que deixou nove mortos.
“Se Deus quiser, eles representam apenas a si mesmos”, afirmou o diretor de Segurança Pública da Jordânia, major-general Obeidallah al-Maaytah.
Esse tipo de violência é raro na Jordânia, aliada dos Estados Unidos e considerada relativamente estável no Oriente Médio. O ataque de sexta-feira contra a minoria cristã levou o rei Abdullah a ordenar que as forças de segurança respondessem com “mão de ferro”.
Em entrevista coletiva, al-Maaytah e o ministro do Interior, Mazen al-Faraya, disseram que o país não tolerará o terrorismo extremista.
“O caso ainda não foi encerrado; as investigações continuam. Até o momento, não há indícios de ligações entre eles e outras células”, acrescentou al-Faraya.
Ataque a igreja
O ataque de sexta-feira (23) ocorreu durante um funeral em uma igreja ortodoxa grega na vila de Hamoud, a cerca de 120 quilômetros a sudoeste da capital, Amã. Além dos nove mortos, a ação também deixou pelo menos 34 feridos.
Testemunhas disseram que homens armados abriram fogo por vários minutos. Os suspeitos, que moravam perto de Hamoud, serão levados à Justiça, afirmaram as autoridades de segurança. Os três foram identificados durante a entrevista coletiva.
Imagens de vídeo da Reuters mostraram um edifício com marcas de tiros após a troca de disparos na vila de al-Judayyda, na província de Karak.
A Diretoria de Segurança Pública da Jordânia informou, em comunicado divulgado pela imprensa estatal, que as forças de segurança localizaram os suspeitos escondidos em uma casa abandonada. Eles se recusaram a se render e atacaram os agentes, que revidaram e prenderam os três após feri-los.
Nenhum agente de segurança ficou ferido. As forças de segurança encontraram diversas armas de fogo e munições em posse dos suspeitos.
Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque à igreja.
Parceira dos Estados Unidos no combate ao extremismo, a Jordânia já impediu anteriormente planos de grupos militantes islâmicos. As autoridades de segurança não mencionaram nenhum grupo islâmico durante a entrevista coletiva.



