Dezenas de mulheres denunciam terem sido vítimas de um golpe envolvendo um falso mutirão de cirurgias plásticas no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O suposto projeto, chamado “Renova Mama, Um Recomeço”, prometia procedimentos gratuitos de redução de mama e colocação de próteses, mas exigia pagamento de insumos cirúrgicos que variavam de R$ 1 mil a R$ 3 mil. As vítimas eram atraídas com a justificativa de que os custos seriam apenas pelos materiais utilizados nas operações.
O nome da unidade pública de saúde foi utilizado indevidamente para dar credibilidade à iniciativa, que não tinha qualquer vínculo oficial com o hospital. A responsável pelo projeto, Tayná Regina Oliveira Castro, teria usado indevidamente os nomes de cirurgiões plásticos conhecidos no Distrito Federal e vinculados à Secretaria de Saúde, afirmando que eles realizariam os procedimentos. Ao menos 30 mulheres integravam o grupo de pacientes que aguardavam atendimento e teriam feito transferências bancárias para contas da suspeita ou de terceiros ligados a ela.
As suspeitas surgiram quando as mulheres compareciam a consultas supostamente agendadas e descobriam que não havia registro de atendimento em seus nomes. Em outros casos, os atendimentos previstos no Hran ou em clínicas particulares eram desmarcados poucas horas antes do horário marcado por pessoas ligadas ao projeto. Uma clínica vinculada a um dos médicos citados publicou alerta nas redes sociais negando qualquer relação com a iniciativa e classificando a oferta como fraudulenta.
Os cirurgiões plásticos mencionados na divulgação negam qualquer envolvimento com o suposto mutirão. Um deles relatou que recebeu ligação de uma mulher dizendo representar uma ONG voltada a vítimas de violência doméstica, mas a iniciativa não avançou. Outro médico afirmou que nunca autorizou o uso de seu nome e pretende tomar medidas judiciais contra a responsável pela divulgação das informações. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que não recebeu denúncia formal sobre os fatos e destacou que todos os procedimentos e insumos na rede pública são gratuitos pelo SUS.
As mulheres agora tentam recuperar os valores pagos por procedimentos que nunca foram realizados. A denúncia foi registrada na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que investiga o caso como suspeita de estelionato. Tayná Castro negou ser golpista e afirmou ter sido “induzida a erro pelas informações que me foram apresentadas sobre a proposta de cirurgias por valores reduzidos”, segundo nota enviada à reportagem.



