Uma investigação jornalística revelou que ex-jogadores brasileiros de renome adquiriram, por meio de um intermediário ligado à Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA), licenças de treinador falsas que dispensavam a exigência de cumprir os cursos teóricos e práticos exigidos pela entidade argentina, pagando cerca de R$ 100 mil por quatro certificações (C, B, A e PRO).
Investigação e Desdobramentos do Esquema Fraudulento
A apuração, conduzida pela jornalista Joanna de Assis, reuniu áudios, mensagens e documentos que comprovam a atuação de Alejandro Mancuso, ex-jogador e auxiliar técnico da seleção argentina na Copa do Mundo de 2010, que se apresentava como 'diretor internacional' da ATFA para vender aos atletas brasileiros um suposto 'trâmite urgente' capaz de emitir as licenças sem a etapa formativa obrigatória. Segundo os registros obtidos, Mancuso alegava ter apoio interno da entidade para acelerar a emissão dos certificados, embora a ATFA negue categoricamente qualquer autorização ao procedimento.
Além dos ex-jogadores citados — Thiago Silva, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Dejan Petkovic, Paulinho e Paolo Guerrero —, a prática fraudulenta se articulava por meio da promessa de que profissionais consolidados não precisariam cumprir o rigoroso plano de capacitação da entidade argentina, que exige avaliações teóricas, atividades práticas e progressão cronológica das licenças.
Mais de 10 ex-atletas brasileiros pagaram cerca de R$ 100 mil cada por quatro licenças de treinador argentino que nunca foram devidamente emitidas.
Repercussão Legal e Próximos Desdobramentos
As autoridades argentinas abriram inquérito sobre o caso em 2025, com o processo chegando a ser instaurado contra Mancuso e alguns intermediários envolvidos; entretanto, a investigação foi arquivada em dezembro do mesmo ano sem aplicação de sanções efetivas. No Brasil, os jogadores envolvidos manifestaram desconhecimento das irregularidades ou alegaram tentativas frustradas de validar os documentos junto à ATFA.
Especialistas em direito esportivo apontam que a fraude pode configurar crime contra a administração pública e falsidade ideológica no âmbito esportivo, com possibilidade de suspensão dos atletas e anulação dos certificados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Conmebol.



